Em Calçado, votos de Cuíca aquém do esperado foram pesos insuficientes para equilibrar a balança da Justiça, que pendeu para José Carlos de Almeida?
Parece que os eleitores de Zé Carlos (PMDB) em SÃO JOSÉ DO CALÇADO/ES, intuíam que só uma vitória com uma grande margem de diferença seria condicionante para que ele assumisse. Bingo, vai assumir.
Condenado à perda do mandato decidida pela Câmara se não me engano no terceiro ano de sua primeira administração (2011), com o detalhe de que naquela oportunidade o presidente da “Casa Cassadora” era o seu atual vice-prefeito Teté, Zé Carlos teve o recurso deferido pelo TRE/ES, que contrariou argumentação interposta pelo segundo colocado, Cuíca. No entendimento da corte, a cassação que foi chancelada em 1ª instância do Judiciário não previa a perda dos direitos políticos, como informa o Jornal Folha Vitória.
Por que digo que a opinião pública pode ter influenciado a tomada de decisão dos doutos juízes? Insinuo, acaso, que suas excelências foram parciais? Que saltitaram nas botinas com solas de tachinhas em cima das leis e da Constituição? Não. Coloquemos de outra maneira: numa democracia, a vontade da maioria é soberana. E quanto mais expressiva essa maioria, mais soberana tende a ser sua vontade. Decisões judiciais não advêm de ciências exatas como a Lei da Gravidade que, independentemente de quem vê, onde vê, da hora que vê, os corpos caem inapelavelmente.
No Direito a coisa é mais subjetiva, sujeita a interpretações de seres humanos com conceitos e entendimentos diversos, ainda que numa assembleia de vestais. Fosse diferente não existiriam recursos, advogados, erros jurídicos, coisa e tal. E mesmo as togas em plenários refrigerados não estão imunes às emanações quentes das urnas, cuja influência pode ser sutil, imperceptível, por osmose.
A diferença de Zé Carlos para Cuíca (PDT) foi grande. Tanto que, se o município tivesse hipoteticamente mais de 200 mil habitantes, Zé Carlos precisaria de meros 0,7% a mais de votos válidos para levar no primeiro turno. Ele ganhou de Cuíca por 3.584 votos contra 2012. Foram 49,3% a 27,7% dos 7.261 votos válidos (os demais candidatos, professor Ciro – PV e Bodoque – PROS obtiveram respectivamente 1.489 e 176). Portanto, Zé Carlos assume acima de tudo com a legitimidade das urnas e as bênçãos do PMDB do governador Paulo Hartung, que é diferente do de Cabral, Pezão e Paes, no RJ (e pesadelo de Sávio Saboia em Bom Jesus do Itabapoana/RJ).
O que faltou a Cuíca foi o entendimento contrário da Justiça, claro, que indeferiu suas aspirações. Mas tenho pra mim que se ele realmente tivesse tido votos suficientes para reduzir a um tamanho ínfimo a derrota (como ocorrera, aliás, com o próprio Zé Carlos em 2008, quando ganhara de Alcemar Pimentel naquela oportunidade por exíguos 119 votos), a banda poderia ter tocado música diferente da “campeão, vencedor, ô, ô…”.
Publicado em outubro/2016