Mais um projeto para o Rio Itabapoana. Que não seja, como sempre, efêmeras palavras escritas em suas águas poluídas

Em abril de 1995 começou a ser elaborado o “Projeto Managé”, criado pela Universidade Federal Fluminense a partir de uma solicitação feita à universidade por representantes das cidades limítrofes a Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste do R.J., e a de Bom Jesus do Norte, no Extremo-Sul do E.S., duas das que mais sofrem com os problemas ambientais do Rio Itabapoana. Lançado em 1997, o Managé foi um programa pioneiro que visava empreender ações integradas de ensino, pesquisa e extensão aplicadas à gestão pública, em prol do desenvolvimento regional sustentável da Bacia Hidrográfica do Itabapoana (264 km de extensão), integrada por 18 municípios dos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A UFF, no intuito de viabilizar todas as atividades do Projeto, além de desempenhar o papel de instituição coordenadora tinha como função exercer o de agente articulador, mediador e integrador nas instâncias política, institucional, técnico-científica e financeira, em parceria com órgãos federais, estaduais e municipais e com universidades brasileiras e estrangeiras, organizações não-governamentais e iniciativa privada. A duração estimada de 20 anos foi o tempo julgado razoável para que fosse estabelecida uma mudança das condições socioeconômicas, políticas e culturais que garantissem a sustentabilidade da Bacia.
Pouco ou nada se percebe, contudo, de melhorias para o rio, seja no aspecto da integração política pela busca de uma metodologia única para o portentoso objetivo comum aos 18 municípios, seja nas próprias ações efetivas de recuperação do importante manancial.
Agora, a notícia do projeto de criação do Monumento Natural Municipal das Cachoeiras e Corredeiras do Rio Itabapoana (MNCI) espera-se que não seja mais uma falácia e promessa vazia em face das eleições que se avizinham. Impedir novas construções de barragens do tipo PCH (para a geração de energia), frear a degradação do patrimônio fluvial, preservar flora e fauna e estimular o turismo e atividades de lazer não-predatórios em Bom Jesus soa demasiado agradável e, em maior proporção, desconfia-se.
A beleza de nossas cachoeiras e corredeiras, da topografia privilegiada, sobretudo as preservações do manancial para as gerações vindouras precisam urgente de lideranças honestamente comprometidas com a ideologia do respeito ambiental, sinceras na sensibilidade e na disposição ao trabalho com a mesma disposição com que lutam pela conquista ou manutenção dos cargos públicos.
Publicado em dezembro/2021