Às vezes aprendemos da forma mais traumática, como nos ensina o novo coronavírus

Não bastassem o martírio da H1N1, Dengue, Zica e demais desgraceiras, une-se a essa trama de horrores o novo coronavírus, que adentra o ambiente dos patógenos de modo triunfante e insolente como o mais perverso entre eles. Desnecessário alertar que os políticos eleitos este ano devem priorizar a Saúde Pública de modo a criar mais e melhores condições ao enfrentamento dessas pragas.
Como se diz que em tudo há um lado bom, a Covid-19 trouxe um novo desafio e deixa um legado de conquistas no setor, desde leitos, equipamentos diversos, pesquisas, até o fortalecimento das normas e convencimentos de atitudes preventivas, de higiene. Ou seja, é imprescindível não apenas preservar aquilo que a doença nos obrigou elaborar (a estrutura material, tecnológica e científica), mas também, e, talvez mais importante até, desenvolvermos a consciência de que coisa pior pode estar a caminho, e essa coisa pode não ser tão “compassiva” quanto o novo coronavírus, que “só mata” cerca de 3 a 5% dos adoecidos, segundo estimativas.
Ah, gente eleita, cuidar da higiene e do aspecto dos logradores públicos também é uma forma de prevenir: se não as doenças do corpo, pelo menos a doença da alma contaminada pelo que nossos olhos veem e nosso senso de capricho, estética e de bom gosto percebe.
Nossas ruas são em geral mal pavimentadas, com superfícies irregulares e esburacadas, calçadas intransitáveis ocupadas por toda espécie de tralha particular. Somente um gestor que reconheça o problema e que tenha honestidade de propósitos pode evitar futuro flerte com o caos (e promover o divórcio desse casamento bizarro com a feiura decadente). Há que se debruçar com carinho nessa questão, elaborar planos de ordenamento urbano e paisagístico. E a pergunta que não cala: dá para realizar serviços de calcetaria com qualidade, que resistam a uma chuva severa?
Publicado em setembro/2020