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A gente se espanta para não perder o jeito de se espantar

Vi no Fantástico, uns três domingos atrás, um deputado ensinando comprar votos e como espalhar boatos e fofocas contra adversários para que estes, ocupados em se defenderem, perdessem o precioso tempo que poderiam estar se dedicando à campanha, propriamente. Acho interessante caras de espanto, como se a notícia fosse de causar admiração pelo inusitado, como se a prática fosse uma novidade. “Ei, amiga, viu ontem no Fantástico? Que loucura! Logo no Brasil esse negócio de compra de votos? Logo com nossa política reconhecidamente moralizadora e ética, coisas desse tipo acontecem? Que horror. Só falta os políticos mentirem pra gente, não é mesmo?”

Já vi de tudo na política, principalmente na nossa região. Mas assim como um Fantástico só às vezes consegue uma prova documental das muitas cachorradas para poder denunciar, eu também. Nós somos governados por muito bandido, embora haja as exceções, como em qualquer atividade. Mas parece que no setor político ser bandido, contraventor, é mais intenso porque há mais vagabundo, já que ela, a política, não se preocupa muito com esse negócio de selecionar seus representantes. Nepotismo, cabide de emprego, locupletação, mentira, falsidade, dissimulação são adjetivos do meio. Além disso, comportamentos no âmbito pessoal, também censuráveis como exploração do trabalho escravo, sonegação de impostos, tráfico de influência, mercantilismo de informações privilegiadas, entre outros, são praticados justamente por alguns daqueles que foram eleitos para o fortalecimento da moral e da ética, e do zelo pelas leis.

Conheço político que adora, por exemplo, rinha de galo. E você há de perguntar: o que tem demais nisso? E eu hei de responder que, mesmo que se utilizem recursos próprios para jogar (embora desconfie que são os recursos públicos que entram no jogo), exploração de briga de galo no Brasil é ilegal, além de ser uma das formas de se praticar crueldade contra os animais. Quer dizer, ilegal em todos os sentidos.

E assim vivemos nós, de Fantástico em Fantástico fazendo caras de espanto somente para não esquecer o instinto, pois nada mais espanta!

Publicado em julho/2013