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Às vezes aprendemos da forma mais traumática, como nos ensina o novo coronavírus

Não bastassem o martírio da H1N1, Dengue, Zica e demais desgraceiras, une-se a essa trama de horrores o novo coronavírus, que adentra o ambiente dos patógenos de modo triunfante e insolente como o mais perverso entre eles. Desnecessário alertar que os políticos eleitos este ano devem priorizar a Saúde Pública de modo a criar mais e melhores condições ao enfrentamento dessas pragas.

Como se diz que em tudo há um lado bom, a Covid-19 trouxe um novo desafio e deixa um legado de conquistas no setor, desde leitos, equipamentos diversos, pesquisas, até o fortalecimento das normas e convencimentos de atitudes preventivas, de higiene. Ou seja, é imprescindível não apenas preservar aquilo que a doença nos obrigou elaborar (a estrutura material, tecnológica e científica), mas também, e, talvez mais importante até, desenvolvermos a consciência de que coisa pior pode estar a caminho, e essa coisa pode não ser tão “compassiva” quanto o novo coronavírus, que “só mata” cerca de 3 a 5% dos adoecidos, segundo estimativas.

Ah, gente eleita, cuidar da higiene e do aspecto dos logradores públicos também é uma forma de prevenir: se não as doenças do corpo, pelo menos a doença da alma contaminada pelo que nossos olhos veem e nosso senso de capricho, estética e de bom gosto percebe.
Nossas ruas são em geral mal pavimentadas, com superfícies irregulares e esburacadas, calçadas intransitáveis ocupadas por toda espécie de tralha particular. Somente um gestor que reconheça o problema e que tenha honestidade de propósitos pode evitar futuro flerte com o caos (e promover o divórcio desse casamento bizarro com a feiura decadente). Há que se debruçar com carinho nessa questão, elaborar planos de ordenamento urbano e paisagístico. E a pergunta que não cala: dá para realizar serviços de calcetaria com qualidade, que resistam a uma chuva severa?

Publicado em setembro/2020

Criança bom-jesuense pode estar acometida de doença rara

Vítor com a mãe, no aniversário de seis anos completados em janeiro/2005, cerca de um ano após o aparecimento dos primeiros sintomas

Vitor Morais Figueiredo, 7, até quase os cinco anos de idade era uma criança normal, quando a partir daí a mãe Maria de Fátima M. Silva, 38, percebeu tremores nas mãos do menino. Na tomografia a que foi submetido em Bom Jesus os médicos descobriram uma pequena mancha no cerebelo de Vitor, momento a partir do qual começou a difícil provação da criança e de seus familiares. Numa rápida gradação Vitor foi perdendo os movimentos e parou de andar, o que ocasionou atrofia de seus membros. Também a fala foi fortemente prejudicada; a comunicação hoje é difícil, somente a mãe consegue entender os sons que o filho consegue emitir.

Filho de Maria de Fátima com Antônio Marcos G. Figueiredo, 36, Vitor tem uma distante descendência portuguesa (uma das bisavós tem a origem genética do povo luso). A Dra. Tânia Saad, neuropediatra carioca a quem o menino foi encaminhado disse que a “doença cerebelar Machado-Joseph” é o diagnóstico de elevadas probabilidades, já que os sintomas, o modo como as manifestações iniciaram e o grau de parentesco com portugueses, povo onde a rara doença congênita faz o maior número de vítimas parecem desvendar a equação para o desditoso diagnóstico.

Primeira criança?
Estudos da Unicamp (Universidade de Campinas/SP) apontam que “a manifestação clínica da doença varia de acordo com a população. No Brasil, a média etária gira em torno de 40 anos e, em alguns relatos, aos 25, mas não se tem registro em crianças, embora já presente no gene. A probabilidade de um portador transmitir geneticamente a doença é de 50%”. Logo, embora não se possa afirmar, é provável que a criança bon-jesuense seja a primeira a encabeçar a indesejável lista de acometidos infantis se o diagnóstico restar comprovado. Para tanto, a mãe do pequeno Vitor vem tentando fazer uma avaliação genética no Centro Fernandes Figueira, Rio de Janeiro, especializado na área genética; “a equipe da médica (Dra. Tânia) está empenhando-se em marcar. Ela está tentando passar na frente da fila quilométrica porque o caso do Vitor é bem delicado”, conta Maria de Fátima. Segundo ela, tanto Vitor quanto o pai, que também passou a ter alguns sintomas recentemente, devem ser avaliados: “o pai começou a sentir fraqueza nas pernas. Um tio-avô do Vitor e uma tia-avó provavelmente têm a doença e eles só ficaram sabendo depois de tudo o que aconteceu com o meu filho. Achavam que era problema de coluna”, explicou Maria de Fátima.

Machado e Joseph
O médico português Manuel Luciano da Silva é didático no detalhamento da doença: “houve, durante muitos anos, em certas localidades da Ilha dos Açores, uma enfermidade vulgarmente denominada Doença do Tropeção. O povo e até os médicos consideravam que esta doença devia ser devido a bebedeiras ou então causada por doenças venéreas trazidas pelos tripulantes de New Bedford, Massachusetts, que andavam à caça de baleias no Atlântico Norte e deixavam a marca do seu mal nos Açores. As vítimas desta doença foram, durante muitos anos, ridicularizadas injustamente. Em 1972 foram diagnosticados na área de Fall River os dois primeiros casos da Doença do Tropeção ou da Doença de Machado-Joseph. O primeiro caso a ser descoberto foi o de William Machado, descendente de uma família da Bretanha (província francesa) na Ilha de São Miguel. O segundo foi de uma família chamada Thomas e logo a seguir apareceu outro caso no norte da Califórnia numa família chamada Joseph, e daí o nome da doença: Machado-Joseph”, explica, acrescentando que a praxe científica é batizar com o nome do cientista uma doença que ele acaba de descobrir ou então do primeiro doente no qual foi detectada a nova enfermidade: “neste caso a ciência médica resolveu prestar homenagem aos últimos nomes dos dois doentes: Machado e Joseph”.

Sintomatologia
“O quadro clínico é dominado por falta de coordenação motora, atingindo a fala, os movimentos finos das mãos e provocando alterações oculares. Com o tempo, a doença se agrava. Os pacientes não se movem, têm dificuldade para falar e ficam confinados à cadeira de rodas. Eles passam a não comer, engolir e respirar. É uma doença dramática e sem cura”, diz o texto da Unicamp.

O Dr. Manuel adverte que a Machado-Joseph pode ser confundida com a esclerose múltipla, mas ela se diferencia porque os pacientes daquela não têm incontinência urinária ou fecal, como alguns acometidos de esclerose. Todavia ambas são derivadas, segundo ele, de uma espécie de “defeito na instalação elétrica do sistema nervoso”. E explica: “todos nós sabemos que um fio elétrico é composto por duas partes: por dentro contém um fio de cobre através do qual corre a corrente elétrica e por fora consiste de um invólucro de borracha ou plástico, que serve para isolar o fio elétrico, evitando curto-circuito. Uma fibra nervosa tem exatamente a mesma composição de um fio elétrico: por dentro o fio nervoso é composto por neurofibrilhas (fios fininhos) que conduzem a eletricidade humana, e por fora têm um invólucro isolador que é a chamada membrana Schwann (nome do cientista que a descreveu primeiro) que serve para evitar o curto-circuito ao longo do nervo. Se a membrana de Schwann é danificada, por exemplo por um vírus (como pode acontecer à borracha do fio elétrico estalar ou queimar-se), a eletricidade humana PERDE-SE ao longo dos tecidos e a pessoa fica parcial ou totalmente paralisada”.

Lucidez preservada
O mais dramático na maioria das doenças degenerativas, como a Machado-Joseph, é que ela leva a uma grande incapacidade motora sem nunca alterar o intelecto, isto é, a pessoa vai definhando perfeitamente lúcida, com as faculdades mentais absolutamente preservadas: “o Vitor sabe exatamente tudo o que está acontecendo com ele. Ele fica falando que se lembra de quando ia à praia, de quando andava, das artes que fazia, e que quando voltar a andar vai fazer isso e aquilo”, disse Maria de Fátima, mal disfarçando a emoção.

Publicado em outubro/2006

Para honra e glória de belzebu

Considerando que Fernando Haddad é o boneco de ventríloquo do encarcerado Lula, um voto sequer que o “poste” obtivesse nestas eleições já seria por si um espanto. E o que dizer da possibilidade real desse poste se eleger presidente do país, isto é, de o Brasil e os brasileiros passarem a ser governados de dentro da penitenciária? Não há palavra que defina na plenitude a incredulidade abissal!

Como um Júpiter ensandecido disparando raios como símbolo de seu poder, Lula comanda o pleito de dentro da cadeia como se fora um homem livre, sob o beneplácito de uma Justiça que parece estar enfeitiçada pela luz do seu olhar, imobilizada pela própria audácia, como a perguntar: como pudemos prender um semideus?

O Brasil talvez nunca tenha produzido tantos novos-ricos no período iniciado em 2003 sob o petismo, nem enriqueceu ainda mais os que já existiam, sobretudo nunca viveu tamanha discrepância entre o que lhe era acenado com o efetivamente concedido. Pior: nunca foi tão vilipendiado! A traição se revelou brutal, inacreditável, estarrecedora! Um povo que apostou suas fichas na esperança a viu inteiramente desvanecida. Acabou-se o que era doce, voltou à estaca zero, teria de começar tudo outra vez, esperando que pelo menos pudesse tirar algo de útil da crise, certo?

Errado. Da latrina em que chafurdaram empreiteiros e políticos da Lava-Jato, da bandalheira que saqueou a Petrobrás deixando-a nos estertores, o dócil povo brasileiro parece não ter tomado conhecimento. Os coliformes fecais, ‘urinais e espermais’ que foram expelidos em cima desse povo talvez pudessem alertá-lo de que a pestilência teria o lado bom de fortalecer seu sistema imunológico, desencadeando um bombardeio químico contra os parasitas para que não se perpetuassem eternamente no pesadelo da bostandade em que se transformou a outrora pátria mãe gentil. Mas a Síndrome de Estocolmo, como alguns estudiosos da matéria concluíram, é realmente um fenômeno contagioso. Para honra e glória de belzebu!

Publicado em agosto/2018

Bolsonaro é censurado por ser sincero, mas a demagogia é louvada desde 2003

Quem nunca faltou com o respeito a uma mulher ou a um homem? Quem nunca disse em algum momento da vida palavras ofensivas a um negro, a um pardo, a um branco, a um mulato, a um índio? A um gay ou lésbica, a um trans, a um hétero? Quem nunca fez piada com as características proeminentes de alguém? Quem nunca foi infeliz em alguma declaração? Quem, dentre nós, tem a legitimidade de atirar a primeira pedra?

Será que somos tão perfeitos a ponto de não compreendermos as fraquezas e falhas dos nossos semelhantes? Será que se você fosse o tempo todo assediado pela imprensa, principalmente pela grande mídia manipuladora controlada por jornalistas doutrinados nas universidades pela esquerda destrutiva durante tanto tempo, também não seria infeliz em algumas declarações? “O pau que dá em Chico dá em Francisco”, mas os socialistas de araque contrariam o ditado (não me refiro aos progressistas intelectualmente honestos, cumpre-me ressaltar). Em conversa grampeada entre o chefão dessa turma do barulho — o condenado pela Lava Jato Luis Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Paulo Vannucchi, gravada em março de 2016 pela Polícia Federal — Lula dizia que estava colocando Fátima Bezerra e Maria do Rosário, duas parlamentares do PT, para acompanharem de perto um dos procuradores que o investigavam, Douglas Kirchner. No diálogo, Lula se referiu às feministas do partido de forma grosseira e vulgar: “Cadê as mulheres do grelo duro do nosso partido?”, perguntou o condenado. E para a Ministra Rosa Weber, do STF: “Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram?”

Vozes hipócritas simplesmente amenizaram a fala do condenado. Uma escritora feminista (pesquisem no Google) defendeu Lula dizendo serem falas comuns dos nordestinos: “Essa expressão é muito utilizada no Nordeste e é sinônimo de mulher forte. Se Lula dissesse que um homem é ‘pica grossa’, por exemplo, não causaria nenhum espanto. Isso reflete o lugar destinado ao corpo feminino em nossa sociedade e quais são as qualidades impostas a esse corpo, tais como fragilidade e docilidade”.

Ou seja, “pica grossa”, “grelo duro” e “homem sem saco”, para esta feminista, são expressões corriqueiras e próprias para um diálogo político entre um ex-presidente e um ex-ministro, mesmo que reduzam as pessoas nominadas como tais a um pênis, um saco escrotal, uma vagina e um clitóris. Imaginem se ela teria a mesma opinião se fosse Bolsonaro dizendo essas barbaridades!

Não é justo condenar Bolsonaro simplesmente por ele ser autêntico nas declarações, alguém que não tem medo de câmeras para falar aquilo que pensa, alguém que se orgulha de ser honesto, temente a Deus e defensor da família. Outros, com discursinhos manjados, ensaiados e prenhes de hipocrisia proferem palavras doces, suaves e com solução para tudo, orientados por onerosos marqueteiros.
Vejo muitas publicações nas redes sociais com a hashtag “#elenão”, então pergunto: Ele quem? Um presidiário mimetizado por um fantoche; um chuchuzinho insosso; um invasor de propriedade privada; uma pretensa ambientalista que só dá as caras de quatro em quatro anos; um falso profeta; um cangaceiro desequilibrado?

Ouço também dizerem “tenho medo do Bolsonaro”. Eu, por outro lado, tenho medo é de bandidos, assassinos, traficantes protegidos pelos direitos “dos manos” — alguns presos pela polícia e quase instantaneamente soltos pela Justiça, delinquentes que matam, estupram e assaltam com requintes de crueldade. Temos de atentar para a realidade, precisamos escapulir da fantasiosa bolha midiática e percebermos que o Brasil está quase perdendo a batalha contra a violência e a corrupção. Corrupção, aliás, que mata mais numericamente pela falta de medicamentos, de leitos nos hospitais, de comida na mesa! Corruptos, portanto, são mais covardes e cruéis, que agem na sombra, dissimulados de lobos em pele de cordeiros, distribuindo bolsas esmolas a torto e a direito e cuidando para manter o país na quase lanterna do IDH porque a Educação, que tem um grande peso no cálculo desse índice é uma das piores do mundo, já que o conhecimento e a cultura do povão são sérios empecilhos à sua sede de poder. Um povo semianalfabeto não tem capacidade cognitiva para desmascarar embusteiros.

Tanto pior é que os conceitos antibolsonaro levarão inevitavelmente a disputa para o segundo turno, e em que pese a aluvião de políticos com os rabos presos se juntarem num bando sinistro a mais um “poste” do presidiário não ser sinônimo de vitória líquida e certa contra Bolsonaro, a batalha será muito mais difícil. Caso a turma do “vamos deixar tudo como está para ver como é que fica” vencer, mais um ditado deixo aqui registrado: “vai ficar do jeito que o diabo gosta”.

O que realmente importa nesse momento é tirarmos os bandidos do poder, pressionarmos o novo presidente a cumprir seus compromissos para reimprimir com letras auriculares o Ordem e Progresso na nossa Bandeira que nunca deveria ser vermelha e, pior, essa vermelhidão bolivariana sangrenta.

Publicado em setembro/2018

Motoqueiros apavorados também em Bom Jesus com a “cruz do anticristo”

Peça que estimulou a lenda urbana da hora

Uma mensagem que circula pela Internet está provocando medo e causando uma corrida dos proprietários de motos CG Titan 150, da Honda, às revendas. Aqui em Bom Jesus mesmo, várias pessoas acreditaram piamente no e-mail de um suposto ex-engenheiro que diz ter projetado uma peça interna do farol da moto no formato de uma cruz invertida. Ela seria o símbolo do diabo.

Segundo a Honda, a peça se chama “Clamp H 25”, é conhecida como “gabarito” e é usada comouma presilha dos cabos dentro da lanterna. Sua supressão de dentro dos faróis poderá ocasionar desgastes prematuros da fiação e até mesmo provocar curtos-circuitos, mas, assustados, os proprietários das motos têm procurado as revendas para a retirada da peça. Segundo o e-mail, que virou lenda em todo o país, o engenheiro trocou sua alma com o tinhoso para que a Honda vendesse muito a CG 150 (como de fato, é o carro-chefe das vendas da multinacional). O sinistro engenheiro disse ter convencido a fábrica a esconder muito mal es condida a peça plástica no veículo para que todos a encontrassem e pudessem exorcizar a motocicleta, livrando-se do mal que seria responsável pelas vendas avassaladoras, mas também pelos acidentes de trânsito envolvendo os condutores dessas motos fabricadas a partir de 2005.

O maligno é o álcool, o excesso, o descuido. Nem vale a pena comentar esse tipo de absurdo que vez ou outra aparece, onde a Internet é a via mais abrangente e eficaz para a difusão. Mas estão acontecendo fatos reais, estes sim, muito graves, com condutores de motocicletas. Três acidentes tivemos aqui recentemente, com vítimas fatais: um em lurú, envolvendo um vereador de Apiacá; outro na saída de Bom Jesus do Norte para São José do Calçado, ceifando a vida do jovem Fabrício, de 21 anos, e outro em Bom Jesus do Itabapoana, onde também um jovem veio a falecer.

Não estou afirmando, sequer insinuando, que estes casos tenham tido alguma relação com consumo de álcool ou excesso de velocidade, por que não sei. Mas cito-os como ilustração dos perigos a que estão expostos os condutores de veículos automotivos, em especial os de motocicletas, quando pilotam em alta velocidade e negligenciam as normas de segurança, sobretudo quando as conduzem alcoolizados. Segundo o especialista Marco Guedes, a motocicleta é o veículo amputador por princípio. “O motoqueiro cavalga a moto. Literalmente, ele a abraça com as pernas. Qualquer choque atinge primeiro as pernas do condutor. Seus membros inferiores são os para-choques da motocicleta. Segundo nossa estatística pessoal, 70% das amputações por trauma são provocadas por acidentes de moto”, afirma.

É preciso que haja campanhas contra esse mal particularmente perverso, que são os acidentes com motocicletas onde, via de regra, são tiradas vidas de pessoas ainda na primavera de seus sonhos. A preocupação com as lendas urbanas da cruz invertida e tantas outras é tão estúpida quanto a irresponsabilidade com que muitos tratam a própria vida

Publicado em julho/2006