Aqui eu guardo meus escritos.

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Tudo a ver o fechamento da Santa Casa de São Paulo com a paralisia do Hospital São Vicente, de Bom Jesus. O nome da doença: descaso político

Nunca, jamais, em tempo algum deve-se colocar a mão no fogo para gestões sucessivas do São Vicente de Paulo, que têm parcelas de culpa na situação pré-falimentar do nosocômio bom-jesuense (se não por malversações, ao menos por incapacidade gerencial). Mas fica a cada dia mais cristalina a constatação de que o tiro de misericórdia em tantas instituições de saúde Brasil afora sai mesmo do gatilho torpe da política nacional para o setor. No dia 22/7, uma das maiores instituições filantrópicas da América Latina (senão a maior) encerrou as atividades do Pronto-Socorro. A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, carente de material os mais elementares, não teve outra saída, transformando o ato de fechar, por oportuno, também num brado gigantesco do que ocorre no país, do Oiapoque ao Chuí, dos Pampas aos Seringais.

Aí, deu-se o burburinho, o frenesi do empurra-empurra entre governos, com o federal culpando o estadual e vice-versa. Mas em razão da catástrofe que se anunciava, logo, logo (um dia depois) surgiram miraculosamente R$ 3 milhões dos cofres paulistas como aporte de emergência e a promessa da União em resolver a pendência acumulada de mais de R$ 300 milhões da Santa Casa, via BNDES. Em termos proporcionais, o nosso São Vicente tem talvez até maior peso para o bom-jesuense que a Santa Casa para o paulistano, e por aqui também foi providenciado o balão de oxigênio sob a forma de repasses mensais da prefeitura para que pelo menos o Posto de Urgência não viesse a óbito (desculpem os trocadilhos). Mas voltar a ser o referencial de saúde do Vale do Itabapoana, o HSVP parece estar longe de sequer acalentar o sonho!

Governos só se mexem por vontade política deliberada ou pressão da sociedade. No caso da Saúde e tantos mais, obviamente falta a vontade. Então, o que a sociedade tem de fazer é pressionar, e lamentavelmente não é o que acontece. Um bom motivo para esquecer do Felipão e sua “família” vergonhosamente derrotada pela Alemanha e sair pelas ruas fazendo grande barulho, sem agravar a Lei: o SUS remunera com o incrível, fantástico, extraordinário valor de R$ 1,85 (para não haver dúvidas, vai por extenso: um realzinho e oitenta e cinco centavos) um exame de glicose!

Que hospital pode funcionar desse jeito, mercê de uma tabela já por natureza muito abaixo dos custos dos procedimentos, ainda por cima defasada há mais de 10 anos? Daí a falência dos hospitais já existentes e o desestímulo à abertura de novos; equipes reduzidas e mal habilitadas; redução da qualidade dos serviços e mesmo sua inviabilização. Hospitais especialmente de municípios pequenos se obrigam a desativar leitos, reduzir exames, restringir equipes médicas para poderem continuar a subsistir, tornando reduzida a oferta dos serviços de qualidade. Isso explica porque apenas casos de média complexidade são atendidos, por exemplo, em Bom Jesus, sobrecarregando os hospitais de cidades maiores que ainda não sucumbiram ao peso da desídia governamental, como o São José do Avai, em Itaperuna.

Devemos botar o dedo na ferida, constatando infelizmente que o culpado da própria doença é o doente. Se este não negligenciasse a própria saúde, faria com que nunca houvesse falta de vontade política. E isso só acontecerá quando rejeitar veementemente uma arena esportiva de custos estratosféricos, exigindo em troca hospitais para si e os seus.

Publicado em julho/2014

Marina pode ser o certo por linhas tortas

 

A vitória da candidata Marina Silva nas eleições de outubro tem boas probabilidades de acontecer, segundo os institutos de pesquisa.
Em princípio, parece ser um fato mais positivo do que se fosse Aécio, por dois motivos: 1) Como uma raposa felpuda que foi, do petismo, ela saberá melhor do que ninguém onde encontrar a chave que quebrará a criptografia, a espinha dorsal do gigantesco coral que se formou com as cores rubras do socialismo de boteco que vem se mostrando tão danoso ao país; 2) Seu DNA forjado no ninho das cobras a deixou menos vulnerável ao veneno de muitos dos companheiros que, principalmente fora do poder, será ainda mais potencializado. Sem essa imunologia natural, um organismo frágil como é o da oposição peessedebista poderia vir a óbito.

O próximo ano será terrível economicamente, e vai exigir um gestor de pulso firme, que deverá tomar medidas difíceis, amargas, impopulares, que muito provavelmente vai ter de navegar o mar revolto de uma economia recessiva, Deus permitindo que não seja severamente estagflacionária. Combustíveis com preços represados, idem energia elétrica, idem outras tarifas, quando obrigatoriamente libertadas de suas amarras eleitoreiras desencadearão tsunamis em todos os setores. E como a mentira, a falsidade, as dissimulações se tornaram metódicas no aparato petista, alguém tem dúvida de que a seguinte sentença seria bombardeada nos ouvidos do povo? — Vejam como esses tucanos são cruéis. Não dissemos que eles iam arrochar? Que são privatistas? Que só governam para as elites? E a odiosa ladainha da vitimização, do nós contra eles viria mais retumbante do que nunca: — Nós é que estamos ao lado do povo, que enfrentamos crises sem prejudicar o pobre.

Marina, e não Aécio, terá mais credibilidade, mais legitimidade para mostrar ao povo essa falácia. Estará mais preparada para explicar quem, na realidade, é o responsável pela hecatombe que se anuncia. Não por acaso o ex-presidente barbudo está saindo de fininho da onda “Volta Lula”. Deliberada ou instintivamente ele deve estar pensando só em 2018, porque de bobo não tem nada. Tal como costuma ocorrer em organizações mafiosas, seus dissidentes são os que mais ajudam desbaratá-las. E a dissidente Marina, apesar de sua natureza ideológica assemelhada, parece ter a força, a coragem e a determinação para abalar as estruturas do PT, dando uma cara mais digna a esse populismo desenfreado, a esse bolivarianismo ridículo que tentam enfiar goela abaixo dos brasileiros.

Se é que pode haver algo de bom na desgraça, o acaso que matou Eduardo Campos pode se tornar o antídoto totalitarista, o bálsamo para a Nação, até mesmo o salvo-conduto para a sobrevivência do PSDB, livrando-o do perigo de sucumbir na máquina que tritura o futuro do país e a reputação dos adversários.

Publicado em setembro/2014

Imperdoável quem votar na candidata petista à Presidência

 

Quem, como eu, já dobrou o Cabo da Boa Esperança, que está com os janeiros bem acumulados, e que principalmente conserva as faculdades mentais, certamente não votará na candidata do PT. Acho, aliás, que pessoas esclarecidas só votam se tiverem algum interesse menos nobre, ou então porque perderam definitivamente a esperança no país. Que coisa patética esse esquerdismo caviar em que os companheiros que mandam no pedaço usufruem da doce vida parisiense evocando e enaltecendo os becos sinistros de Havana! Quanta hipocrisia!

Quem entende de inflação e chegou a madrugar nas portas dos supermercados porque à tarde os preços seriam majorados, não têm perdão se não perceberem que estamos caminhando a passos largos para voltarmos a madrugar. Quem ligava para o banco várias vezes ao dia para pedir ao gerente que colocasse seu dinheiro no “over night”, tentando desesperadamente manter do dia para a noite o seu poder de compra há de querer preservar o todo o custo a estabilidade, eliminando da vida pública os que atentam contra ela.

Não há alternativa, dirão vocês, com certa razão. Nem sei se a desgraça maior do Brasil é a camarilha farsante que se reveza há 12 anos no poder, ou a oposicinha pusilânime, covarde, que desde 2005, quando estourou o escândalo do Mensalão, preferiu “deixar o petismo sangrar até morrer”, sem querer bater forte com medo estarrecedor da popularidade de Lula. (Sangrou e morreu tanto que reelegeu Lula; elegeu Dilma; tem bastante probabilidade de reelegê-la, mais ainda de voltar a eleger e reeleger o próprio Lula em 2018 e 2022!

O oposicionista de agora, por exemplo, julga que com punhos de renda desviará os mísseis da empulhação, da mentira, do terrorismo eleitoral. Incapaz de absorver e retribuir as investidas malévolas, acaba fazendo o jogo do rival, que é o que se vê com Aécio, lá embaixo nas pesquisas, agredindo Marina, aquela que ao menos pode ter dos brasileiros o benefício da dúvida. Pragmaticamente falando, pior do que está não fica.

Mensalão, petrolão, lama, fel, esgoto, limo, pus e larvas! Que por obra e graça de R$ 100 da bolsa esmola provavelmente se perpetuarão! Quem pode se dar ao luxo de buscar o aeroporto mais próximo, parabéns. Quem não pode, como eu, resta entender que conjugações de fatores fizeram o petismo se beneficiar de tudo o que fez abaixo e morrer perguntando a Andrada por que não arrancou este pendão dos ares, e a Colombo, por que não fechou a porta de seus mares!

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1985 – O PT é contra a eleição de Tancredo Neves e expulsa os deputados que votaram nele;
1988 – O PT vota contra a atual Constituição.
1989 – O PT defende o calote da dívida brasileira.
1993 – O então presidente Itamar Franco convoca todos os partidos para um governo
de  coalizão pelo bem do país. O PT foi contra e não participou.
1994 – O PT vota contra o Plano Real, dizendo que era factoide eleitoreiro.
1996 – O PT vota contra a reeleição; hoje a defende.
1998 – O PT vota contra a privatização da telefonia, que tornou o celular acessível a
todos os brasileiros. (Talvez hoje tivéssemos, além de mensalão e petrolão,
também o telefolão).
1999 – O PT vota contra a adoção das metas de inflação.
2000 – O PT foi veementemente contra a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal,
que  obriga os governantes a gastar apenas o que arrecadam.
2001 – O PT vota contra a criação dos programas sociais no governo Fernando
Henrique Cardoso. Bolsa Escola, Vale Alimentação, Vale Gás, PETI e outros benefícios são classificados como insuficientes e esmolas eleitoreiras.

O PT foi contra tudo e contra todos, porém o maior beneficiado da infraestrutura socioeconômica construída a duras penas, atribuindo numa inacreditável inversão de valores todos os méritos para si, e as mazelas para os outros.

Publicado em setembro/2014

Ao vencedor, as batatas; ou, perder não foi de todo ruim para Aécio

Embora as batatas no sentido literal da frase sejam mesmo o prêmio dos que venciam a disputa pelos tubérculos insuficientes para alimentar ambas as tribos evocadas por Quincas Borba, de Machado de Assis, a depender de como a presidente Dilma Roussef vai tocar o seu segundo mandato, ela e o PT podem ficar com as batatas no mau sentido. Sem querer escorregar naquilo que a esquerda denomina “arrogância da direita” (somos, isto sim, do DIREITO), parece claro que o terrorismo eleitoral, fruto de um marketing agressivo, violento, foi o artilheiro que deixou a bola nas redes do adversário, com gol no segundo tempo da prorrogação, fruto de um pênalti inexistente. O abuso desmedido, desmesurado nos aspectos legal e moral para a conquista a tornou uma vitória de Pirro.

No PT só tem gente má? Claro que não. Aliás, prosseguindo na analogia futebolística, os petistas de boa índole, aqueles que não queriam simplesmente ganhar por ganhar, a vitória de agora se assemelha à de um  time quando vence por acaso, num contra-ataque improvável, depois de um jogo em que atuou de maneira sofrível, tomando olé, lençóis e bolas entre as pernas por um adversário que só não pôde fazer os gols nas balizas nordestinas (hermeticamente vedadas com bolsas família) e, ironia das ironias, em sua própria Minas, berço da liberdade, dos heróis da inconfidência, que desta feita voltou as costas para seu filho Aécio Neves.

A presidente vai governar um país extremamente dividido. Mais de 83 milhões de pessoas não votaram nela (os 51 milhões e tantos de Aécio, e os 32 milhões e tantos que não votaram em ninguém – 27,44% entre brancos, nulos e abstenções). Considerando-se apenas os votos válidos, de 54 milhões aproximadamente para ela, e 51 milhões aproximadamente para ele, todos hão de convir que a diferença entre o empate é ínfima nesse universo gigantesco. Com um Congresso renovado, heterogêneo, e um Senado que resgatou um nome de peso da oposição (Tasso Jereissati/CE); que reelegeu outro nome portentoso dos tucanos (Álvaro Dias/PR, o mais bem votado em todo o país, com nada menos que 77% dos votos dos paranaenses); que se reforçou com outros outros nomes de peso, a bancada oposicionista fortalece o paiol de munição para encarar o rolo compressor petista com sua maioria de aliados.

Portanto, não será nada fácil a vida da presidente. Some-se a isso o espocar de escândalos, dia sim, outro também; buscas e mandados judiciais a governadores e a parlamentares envolvidos no Petrolão, a sangrar o governo; a inflação corroendo o dinheiro principalmente dos mais carentes; o crescimento da economia, próximo de zero; um mercado de capitais arisco num governo que só tem olhos de enxergar o poder pelo poder.

O resultado geral das eleições só não foi catastrófico para o PT porque manteve a Presidência. Basta mencionar que seus governadores eleitos só governarão para 16,1% do PIB (estados do Acre, Ceará, Piauí, Bahia e Minas), enquanto o PSDB governará para a maioria dos brasileiros (44,4% do PIB – São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará). O PMDB ficou com o vice-campeonato, 22,4% do PIB (Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul). Se Dilma não der uma guinada radical na postura melíflua como age com os malfeitores de seu governo e de sua gente, e continuar na toada meio barro, meio tijolo com a qual vem gerenciando até aqui, periga escrever na história uma das páginas mais tristes. Se não impedir que a oposição consiga transformar o bolsa família em programa de Estado (e não mais de partido), disciplinando a concessão aos que realmente necessitam, eliminando os parasitas que se alimentam do sangue alheio e fomentam o terrorismo eleitoral, será pule de dez que terá de entregar o poder em 2019.

Publicado em outubro/2014 

Por que é tão necessária a criação em Bom Jesus do Itabapoana da Secretaria específica do Meio Ambiente

 

Em vários estados brasileiros as prefeituras recebem forte apoio de instituições ligadas às questões ambientais. Há tempos o tema do meio ambiente tem sido objeto de atenção concentrada no cenário mundial, repercutindo intensamente junto às populações e firmando consenso em toda parte da necessidade de ações preservacionistas como forma de reduzir os danos e instituir formas sustentadas de desenvolvimento. No país, a relevância do tema gerou uma legislação bem rígida visando coibir práticas abusivas contra o meio ambiente. Mas para que haja a necessária integração de todos os entes federados, é preciso que os municípios criem nas suas constituições municipais linhas modernas e avançadas para a implantação de uma nova ordem jurídica com vista à proteção do meio ambiente. Em Bom Jesus, reforça essa necessidade lembrar que:

1) O município está inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana, e hoje participa das discussões e proposições no Comitê de Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana; 2) É membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI/RJ), pelo segmento do poder público municipal; 3) A Secretaria Executiva do Conselho Regional de Secretários Municipais de Meio Ambiente do Noroeste Fluminense (COSEMMA-NF) é no município; 4) Suas atividades ambientais referentes as implantações de empreendimentos hidrelétricos, industriais e minerais têm sido constantes e necessitam de análises e avaliações técnicas mais profundas em nível municipal; 5) O município encontra-se em pleno desenvolvimento de ações e discussões referentes ao Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), instrumento importante de implemento para a criação de Unidades de Conservação no município; Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) – instrumento que norteará os eixos de tratamento de esgoto, abastecimento de água e drenagem pluvial; Programa de Coleta Seletiva Solidária; 6) Também firmou acordo com a Rosal Energia/CEMIG, obtendo a cessão em definitivo do Parque Municipal de Rosal, área com mais de 70 hectares para desenvolvimento de ações de educação ambiental e turismo ecológico; 7) Possui um Conselho de Defesa do Meio Ambiente – CODEMA, fórum deliberativo nas questões ambientais, composto por membros do setor municipal, estadual e da sociedade civil organizada, necessitando de uma Secretaria Municipal de Meio Ambiente para viabilizar e executar as diretrizes determinadas pelo Conselho; 8) O município tem deixado de receber inúmeros recursos financeiros em níveis federal, estadual e internacional, referente a área ambiental, como por exemplo do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA); 9) Em relação ao ICMS Verde, a Lei Estadual 5.100, de 4/10/2007, que trata da repartição aos municípios da parcela de 25% do produto da arrecadação do ICMS, incluindo o critério de conservação ambiental, determina em seu artigo 3º que, para beneficiar-se dos recursos previstos nesta Lei, cada município deverá organizar seu próprio Sistema Municipal do Meio Ambiente, composto no mínimo por Conselho Municipal do Meio Ambiente, Fundo Municipal do Meio Ambiente, órgão administrativo executor da política ambiental municipal e uma Guarda Municipal ambiental.

O Art. 225 da Carta Magna diz que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. E Bom Jesus precisa articular e integrar as ações ambientais, criando controle mais efetivo, fortalecendo o planejamento, as estratégias e as diretrizes de um setor tão primordial para a qualidade de vida.

Publicado em dezembro/2014