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Atiraram no que viram, podem acertar no que não viram

Ano passado, quando das manifestações de junho, muitos aconselharam a presidente Dilma livrar-se da política salafrária, corrupta, sub-reptícia, materializada em gente de reputação duvidosa, como muitos dos componentes de sua base de apoio, especialmente o seu criador, Lula, que embora não exerça mandato formal é uma eminência parda do poder. Antes do escândalo do petrolão emergir como uma tsunami, já cientificavam-lhe a opinião de que dificilmente ela continuaria no cargo se não desse uma violenta guinada em seu modus faciendi de governar. Começando pela redução dos 39 ministérios para uns seis, passando pela conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco, pelo sepultamento da ideia do trem-bala e no vigoroso investimento na Saúde e na Educação, inspecionando com microscópio eletrônico o gasto de cada centavo; retornando com as faxinas; desempacando o PAC; combatendo carteis e monopólios, etc.

Julgavam que a opinião pública pós-manifestações ia lhe dar respaldo na batalha sangrenta que enfrentaria ao contrariar interesses monumentais, transformando o povo nas ruas em um Poder Legislativo alternativo, residindo aí a pedra filosofal do verdadeiro milagre que realizaria. E sentenciaram até que se ela não conseguisse produzir um milagre, poderia mandar emitir as passagens para um cruzeiro marítimo a partir de 1/1/2015!

Pois bem. O vaticínio deu com os burros n´água, tal como ocorreu com aquele vidente que apostou em frenesi na vitória do Aécio, certo?
Pero no mucho. Parece ser apenas questão de tempo que a madame será impichada. Ou então, enfrentará tormentas tão tormentosas no decorrer do mandato, que sequer poderá dizer que governou. Digo isso por quê? Porque, raciocino, o escândalo do petrolão é de nível tão colossal que dificilmente não a atingirá. Afinal de contas, o diretor Paulo Roberto Costa se prontificou a devolver R$ 70 milhões, o ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços Pedro Barusco, US$ 100 milhões, ou, perto de R$ 250 milhões, e mais um monte de gente querendo devolver grana roubada, vejam vocês! Aliás, cabe a velha máxima: — Vergonha é roubar e não poder carregar.

Provada está a implicação de mais de 70 políticos no esquema, dos três maiores partidos da base governista (PT, PP e PMDB). Também um número grandioso de executivos de empreiteiras, de destacados funcionários da Petrobrás e quantos mais virão por aí na bola de neve que se transformou o instituto da Delação Premiada. Muitas dessas negociatas foram feitas sob a presidência dela no Conselho de Administração da Petrobras, ou na própria presidência do país. Aí, das duas, uma: ela sabia ou não sabia, e qualquer que seja a resposta, fica muito, mas muito mal na fita. Na melhor das hipóteses, houve negligência, crime de responsabilidade, que num país sério redunda em impeachment.

Portanto, aquele cruzeiro parece ter sido apenas adiado. Se apostaram erradamente que o povo iria executar o próprio carrasco caso este não se transmudasse num anjo em tempo recorde, não apostaram acertadamente que passava da hora de a casa cair, com ou sem sustentação dessa mesma gente insensível ao próprio destino ao legitimar o continuísmo trágico.

Então, afirmo: atiraram no que viram, podem acertar no que não viram.

Publicado em dezembro/2014 

A podre vermelhidão está acabando com o Brasil

 

Pablo Neruda (1904-1973), escritor chileno, um dos mais consagrados poetas de todos os tempos, disse em seu livro autobiográfico ‘Confesso que vivi’: “A América Latina gosta muito da palavra esperança. Os candidatos a deputados, a senadores, a presidentes se autointitulam candidatos da esperança. Na realidade esta esperança é algo assim como o céu prometido, uma promessa de recompensa cujo cumprimento se adia. Adia-se para o próximo período legislativo, para o próximo ano ou para o próximo século”.

O comunismo fragorosamente derrotado exigiria gente mais competente para fazê-lo reviver no Brasil, com os acessórios necessários aos tempos modernos.  Até os tijolos que restaram do muro de Berlim como souvenirs devem estar horrorizados com essa cambada brasileira, com as figuras ridículas e desastradas de companheiros muy amigos.

Num outro trecho do livro, falando de González Videla, que governou o Chile no período 1946-1952, Pablo Neruda parece que escreveu na década de 70 do século passado com lupa no Brasil de hoje. Disse o poeta: “(…) logo renovou-se a esperança, Videla jurou fazer justiça e sua eloquência ativa lhe atraiu grande simpatia (…) mas os presidentes em nossa América criolla sofrem muitas vezes uma metamorfose extraordinária (…) rapidamente mudou de amigos (…) ligou sua família com a aristocracia e pouco a pouco converteu-se de demagogo em magnata (…)”.

Aliás, o Brasil talvez nunca tenha produzido tantos novos-ricos num período iniciado em 2003, nem enriqueceu ainda mais os que já existiam, sobretudo nunca viveu tamanha discrepância entre o que lhe era acenado com o efetivamente concedido.  Pior: nunca foi tão saqueado, tão roubado, tão vilipendiado. A traição se revela brutal, inacreditável, estarrecedora!  Um povo que apostou todas as suas fichas na esperança a vê inteiramente desvanecida. Acabou-se o que era doce, voltou à estaca zero, terá de começar tudo outra vez, esperando que pelo menos possa tirar algo de útil da crise, da latrina em que chafurdam empreiteiros e políticos da Lava-Jato, a bandalheira da hora que saqueou a Petrobrás deixando-a nos estertores.

Dos coliformes fecais, ‘urinais e espermais’ que são expelidos em cima do cândido e dócil povo brasileiro, só resta a este povo a esperança de que a pestilência fortaleça seu sistema imunológico e desencadeie um bombardeio químico contra os parasitas, para que não se perpetuem eternamente no pesadelo da bostandade em que se transformou a outrora pátria mãe gentil.

Publicado em março/2015 

O Brasil só tem um Exército: o de Caxias

 

O ex-presidente Lula, um dos políticos mais astutos destes trôpegos trópicos deixou-se dominar pela fogueira das vaidades e vinha se comportando como uma divindade a pairar acima das leis e das cabeças dos simples mortais. Sua engenhosidade era se servir do poder convencendo o povo do contrário. O problema é que cada vez mais povo está caindo na real, como se diz, e descobrindo já pés e, quem sabe pernas, do ídolo de barro. E a cada dia que as mutretas se avolumam, mais o pano se abre, descortinando, além do barro, o esqueleto de pau reluzente de óleo de peroba.

Desnudado gradativamente, o ex-presidente vai ficando assustado, com medo. E contra o medo, a reação instintiva de autoproteção é a de acusar inimigos imaginários, ameaçando rupturas institucionais por intermédio de paus-mandados. “Mando pra rua o exército do Stédile”, ameaçou (para quem não sabe, João Pedro Stédile é líder do MST, movimento que se especializou na invasão de terras produtivas, quebra-quebra e outras ilegalidades). Retrucou uma mal-humorada nota oficial do Clube Militar: “O único exército do Brasil é o de Caxias, o Exército Brasileiro.” Para quem sabe ler…

Lula, em vez de buscar meios de tirar o país da crise que ele próprio cultivou (pessoalmente ou com sua criatura, Dilma) parece querer um confronto real, que poderá desaguar em violência. Esse tipo de conflagração civil dividirá o país dificultando qualquer solução democrática, porque em vez de diálogo e racionalidade, o que acaba prevalecendo é a paixão. O melhor conselho que se pode dar a Lula hoje é que tenha juízo, que reflita, que pare de incitar o ódio, de insuflar disputa entre ‘nós e eles’. E lembrar que o deus de hoje pode vir a se transformar no diabo de amanhã, tal como ocorreu com vários líderes mundiais, como Mussolini, Sadam Hussein, Muamar Khadafi e outras boas-biscas semelhantes.

Publicado em março/2015 

Eleições Municipais de 2016. É dada a largada e aguardam-se informes sobre a construção da terceira ponte em Bom Jesus

Os tambores das eleições municipais rugirão para valer mesmo só no próximo ano, mas o clima da disputa já começa a bafejar uma brisa suave em todos os rincões do país, muito embora a reforma política possa ser votada até setembro, como deseja o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, para poder valer legalmente já em 2016. Nesse caso, entre outras novidades, pode ser que os mandatos dos atuais prefeitos sejam prorrogados até 2018, com o fim do instituto da reeleição, unificando todas as eleições para todos os cargos num mesmo período, desde vereador até presidente da República. “Quando assumi a Câmara, já no primeiro dia levei ao plenário a admissibilidade da reforma política. Faremos em maio uma semana para votar tudo que diz respeito ao projeto e espero que esteja sancionado até 30 de setembro”, prometeu Cunha.

Isso indica, claro, que a coisa vai esquentar mesmo se essa sincronização não passar, mas é um engano pensar que a possibilidade da reforma arrefece os ânimos. Pré-candidatos já ensaiam discursos, intensificam obras, fomentam intrigas, escolhem inimigos reais ou imaginários, e até já contratam pesquisas para medir o nível de aceitação, de popularidade. Nas câmaras legislativas, quem já está se move com mais desenvoltura para poder continuar, e quem sonha entrar também já ensaia tapinhas nas costas mais efusivos.

Enfim, é hora de começarem todos, prefeitos e vereadores, a mostrarem os feitos, a externarem conceitos, a justificarem falhas, a prometerem os fundos e mundos de praxe. Relativamente às duas Bom Jesus, aguardam-se informes sobre a construção da terceira ponte numa iniciativa de busca conjunta junto ao Governo Federal, como promessa mais vistosa. Mas parece evidente que o esforço de nada resultará uma vez mais, desta feita com o componente adicional da crise econômica. Uma reciclada no aspecto urbano de ambas as cidades para disciplinar o trânsito e fornecer um visual mais agradável talvez seja possível se os respectivos prefeitos eleitos se dispuserem a transpor os umbrais das promessas.

Publicado em abril/2015

Eu avisei até em trova e verso que reeleger Lula ia ser uma desgraça. E foi!

Votei em Lula no ano da Graça de 2002. Desgraçadamente! No fim de 2003, já me arrependia da infausta decisão, alarmado pelo rumo que as coisas tomavam, estando hoje no estupor do assombro como boa parte do povo brasileiro. Antes atéde completar um ano de sua gestão, já me mandava de mala, cuia e papagaio para as bandas da oposição, acrescentando este meu teclado calibre 22 enferrujado ao poderio armamentista da ´imprensa golpista´, defensora da ´zelite´, dos ´lôro de zoio azul´, etc.

Em 2006, quando o molusco se esgoelava nos palanques para reentrar triunfalmente no palácio no ano seguinte (o que infelizmente aconteceu), apelei até com uma poesia desesperadora, acentuando que a imprensa golpista era, ao contrário, extremamente companheira; que artistas intelectualmente desonestos só defendiam o status quo para manter as boquinhas nas tetas da Viúva (Lei Rouanet, publicidades estatais, etc); que as barrigas cheias com bolsas esmolas não significavam justiça social coisa nenhuma, senão uma forma oportunista de exponenciar a níveis continentais o velho coronelismo político de província; que, sobretudo, o consumismo sem lastro na produtividade, a corrupção que já se tornava endêmica, o descalabro na tomada da máquina pública, onde os interesses subalternos, às vezes criminosos se sobrepunham ao mérito, iriam cedo ou tarde gerar uma conta gigantesca, monstruosa.

Ei-la, minha gente, a conta. Não me refiro propriamente às tarifas públicas, de eletricidade e que tais. Não me refiro aos preços nas gôndolas dos supermercados, que nos deixam aterrorizados. Não me refiro ao honorário do dentista, nem o que sente o comerciante pelo consumidor que sumiu, nem ao emprego que vai freneticamente para o brejo. Nem mesmo à Petrobrás sucateada; os Correios que entregam as contas da TV com dois meses de atraso; os mensalões, petrolões, eletrolões e a ponte que caiu futebol clube! A conta é perversa porque não exige apenas o desembolso de bens materiais. Ela é sobretudo infame ao tomar o orgulho de um povo pela sua pátria, levar ao rés do chão a auto-estima, lançar nuvens sombrias, espessamente ameaçadoras no horizonte de nossos descendentes!

Leiam meus versos publicados em setembro de 2006. O “eu avisei” ainda pode ser útil para eventuais cegos e desvalidos que pretendem repetir a cagada em 2018. E uma moedinha no chapéu do meu ego, grande consolo!

Publicado em abril/2015