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Militantes do coitadismo só faltam culpar as vítimas por brutais crimes sofridos

Jaime Gold, médico assassinado por quem é inimputável criminalmente, mas pode decidir o futuro do país

Na hipótese de mesmo em legítima defesa ter sido o médico quem matasse o adolescente que o apunhalou com várias facadas na Lagoa Rodrigo de Freitas, caso de ampla repercussão nacional este mês, uma nuvem espessa de representantes dos direitos humanos, OAB, políticos como Maria do Rosário e outros assemelhados do coitadismo estariam em polvorosa. Eles repudiariam em todas as mídias possíveis, até nas interplanetárias fatos tão repulsivo. Então um médico, responsável por salvar vidas mata um jovem sadio, saudável, em tão pouca idade?  Só porque ele queria matar para poder ter uma bicicleta? Que infâmia! 

Mas deu-se o contrário. O dimenor que já tinha sido apreendido e solto pela Justiça 15 vezes foi quem desferiu várias facadas mortais, de forma covarde, pelas costas, antes mesmo que o médico se desse conta do que estava havendo, pedalando que estava sua bicicleta objeto da cobiça do vagabundo. Nesse caso, apenas palavras burocráticas, para em seguida vir o dilúvio de considerações filosóficas e desgastadas pelo uso massivo do porquê o médico morreu: ao fim e ao cabo, por culpa dele mesmo, já que faz parte da sociedade, e a sociedade é a culpada pelo menor ser um homicida da mais perversa índole.

Até a presidente Dilma vociferou contra a Justiça indonésia que condenou à morte dois brasileiros por tráfico de droga. Chamou inclusive o embaixador para consultas, que é a mesma coisa que uma pessoa física ameaçar ´ficar de mal´ com outra. Mas no caso do médico, nem sei se palavras protocolares foram dirigidas à família da vítima. 

Tem gente preocupada com as Olimpíadas ano que vem. Mas não precisa se preocupar. Como na Copa do Mundo não haverá coitadinho vítima da sociedade matando turistas a facadas porque haverá polícia, haverá segurança. A sociedade pode ficar despreocupada porque não será acusada de matar indiretamente os estrangeiros que nos visitarão. Mas depois do evento, a “sociedade fratricida” estará de volta em suas práticas de morticínio.

Na mentalidade dessa gente, quem tem de ser presa é a sociedade!

Publicado em junho/2015

Cidadãos de 16 anos podem decidir o futuro do país, votando; e também condenar famílias à dor eterna, matando

O rapagão e a moçona de 16/17 anos estão capacitados a decidirem a sorte de seus municípios, seus estados e seu país porque a lei lhes faculta votar. Mas se eles matam, estupram, barbarizam, condenando familiares e amigos das vítimas ao tormento eterno, recebem um puxãozinho de orelhas, apenas, que é a perfeita tradução do que significa seu recolhimento por no máximo três anos em instituições diferenciadas das prisões, em contraste assombroso com o crime aterrador. E ai daquele que publicar uma foto ou citar o nome do “pequerrucho”, no conceito anacrônico da Lei, ainda que meça 1,80 m de altura e pese 90 kg de puros músculos.

Somente o fato de existir mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a vã filosofia explica porque os movimentos ditos progressistas, esquerda em geral, OAB, CNBB, movimentos sociais, mostram-se tão em desacordo com a grossa maioria da população. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada em 22/6/15, nada menos que 87% dos brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal para 16 anos.

Mas antes que se critique a incoerência do povo, que elegeu quem é contra si, vale uma reflexão: acaso o sistema político brasileiro lhe ofereceu alternativas ideológicas?

Publicado em julho/2015 

Bebê é filho de pai que nasceu mulher e mãe que nasceu homem

Existem notícias incríveis, difíceis de acreditar, coisas do arco da velha: “Ex reata com mulher mais obesa do mundo por saudade da vida sexual”, anuncia o título do G1 de 22/11/11. Subtítulo: “Pauline Potter diz que está com 330 kg, mas agora pretende emagrecer. Alex, que estava longe há 3 anos, diz que casal faz sexo todos os dias”. “Homem abre porta do avião e cai”, diz outra manchete. “Um passageiro de um avião particular abriu a porta e caiu, enquanto sobrevoava o mar perto de Miami, nos Estados Unidos”; ” O filme ´50 tons de cinza’ aumentou acidentes sexuais, dizem bombeiros de Londres”; “Cantor americano soluça há quase 2 anos sem parar”; “Clandestino morre e outro sobrevive a quase 13 mil quilômetros pendurado no lado de fora de um avião, que fazia a ligação Joanesburgo-Heathrow”.  “Mãe empurra o filho morto num balanço por três horas. Criança não tinha ferimentos visíveis. Mãe, de 24 anos, foi levada para o hospital para fazer exames”; “Três mulheres sequestraram e violaram um homem para lhe roubarem o sêmen”; “Piloto de avião perde o braço (prótese) no momento da aterrissagem”; “Estudante ficou preso em vagina de mármore. Foram necessários 22 bombeiros para retirar jovem de escultura; “Juntou-se a grupo de buscas que procurava ela própria”; “Noiva engana-se no quarto e faz sexo com o padrinho”; “Homem vende testículo para comprar carro novo”; ” Xeque saudita defende que dirigir veículos danifica os ovários das mulheres”; “Bandidos cheiram ‘cinzas de mortos’ pensando ser cocaína”. E igualmente curiosas, insólitas, centenas como essas, milhares.

Uma notícia especialmente curiosa, contada pela jornalista Helena Freitas no portal www.uol.com.br, em 22/7 deste ano da Graça de Nosso Senhor (que deve estar pensando a quantas anda o mundo criado por seu Pai): “Bebê é filho de pai que nasceu mulher e de mãe nascida homem”. O caso é que, creio que por um descuido (e a própria narrativa da jornalista explica que a concepção se deu depois do casal ter bebido em uma festa), a natureza exerceu o seu papel: o pênis da ´mulher´ ejaculou na vagina do ´homem´.

Estamos, os seres humanos, exagerando ao querer quebrar as leis da natureza. No caso aqui, biologicamente isso não ocorreu, claro. Mas do jeito que as coisas vão, caminhamos para inverter os papéis biológicos também. Já não há cirurgia para troca de sexo? Daí a implantes de próstata e útero… Qual seria a reação das forças que não dominamos pela nossa arrogância em achar que podemos tudo?

Publicado em setembro/2015

Ainda que vençamos, já perdemos

De uns tempos para cá estou meio indiferente pela Seleção Brasileira. Antes, como a esmagadora maioria dos brasileiros, deixava-me influenciar pelas cores vibrantes do escrete, pela alegria contagiante que ocorre em épocas de copas do mundo, associando-me aos carnavais fora de época que costumam despontar nesses junhos quadrienais. Especialmente na juventude, a gente se integrava nas carreatas após as vitórias da Seleção. Observávamos as ruas coloridas, embandeiradas, a emoção coletiva à flor da pele, os vivas aos nossos craques, as discussões acaloradas sobre quem era melhor em cada posição nas equipes, o ódio quase mortal pelos rivais argentinos, coisa e tal. Eu imaginava: se já é assim, quão retumbante seria quando a Copa fosse realizada no Brasil! E que decepção notar que tão arrebatadora expectativa se materializou num muxoxo coletivo, numa impassividade tamanha como se em 2014 a Copa esteja prestes a se iniciar no Círculo Polar Antártico…, sem a presença da Seleção Brasileira!

Continuo torcendo pelo Brasil, festejarei se vier o Hexa. Mas confesso que os argentinos já me são simpáticos. Então, se vier algum resultado adverso para o verde-louro da nossa flâmula, confesso que o receberei com a apatia dos renegados. Este estado de ânimo, noto, no dia a dia, é idêntico ao de milhões de brasileiros, que ao se gabaritarem numa escala maior de esclarecimento, do reconhecimento de que estão sendo manipulados, sendo massa de manobras políticas rasteiras e inconfessáveis, se tornaram invulneráveis à hipocrisia e a dissimulação.

Instintivamente estamos dando uma banana portentosa àqueles que imaginaram que o circo mais galante do mundo dos esportes nos faria ainda mais agradecidos e conformados pelo pão nosso de cada dia, acomodado nas bolsas esmolas. Pensaram, os insanos, que estádios faraônicos nos fariam esquecer a falta de leitos nos hospitais, a violência galopante, a falta de perspectivas no futuro, a Educação em frangalhos, a corrupção em dimensões planetárias. Em vez de mostrarmos fatos edificantes da nossa pátria, mostraremos ao estrangeiro nossas piores mazelas, nossa falta de planejamento, obras inacabadas, infraestrutura caótica, uma demonstração melancólica de incompetência.

Que façam bom proveito do seu Titanic. Infelizmente, ainda que vençamos, já perdemos!

Publicado em maio/2014

Livros de colorir para adultos viram febre no Brasil. Faz sentido


Saudade dos tlecs, tlecs, tlecs da velha Remington mecânica e do então suprassumo tecnológico de sua substituta, uma IBM elétrica que maravilhava com seu revolucionário cilindro esférico de metal em lugar das hastes barulhentas de letras das antigas. Consta que ao desenvolver o Word, a Microsoft se inspirou na IBM para seu corretor ortográfico, que na IBM era em forma de fitinhas brancas. Você inseria a fita no erro, teclava a letra indevida e zás: eliminada como num passe de mágica.

O dever de ofício dessas máquinas alcançava maior quantidade de leitores. Agora, no teclado, calco nele, do mesmo jeito, conjuntos de letras que formam frases, orações, períodos. Mas o resultado já não tem a ênfase de outrora, tornando mais penosa a tarefa num país gerido (ou seria melhor, digerido?) a quatro mãos por um sujeito obtuso (o criador) e uma mulher sapiens (a criatura), que parecem ter orgasmos com o ocaso da meritocracia, da cultura, da educação, do conhecimento. Pesquisa da Fecomércio publicada em 1/4 deste ano no G1 aponta que, em 2014, nada menos que 70% dos brasileiros não leram um livro sequer. O uso da internet, facilitado pelos smartphones é apontado na pesquisa como um dos responsáveis pela queda na leitura, principalmente entre os jovens.

Mas não é só por isso, creio eu. Se um ex-presidente da República se gaba de não gostar de ler, e se muitos analfabetos funcionais são eminências em variadas instituições de comando do país, é impossível tal fato estimular os brasileiros comuns ao hábito saudável da leitura. Ao contrário, obviamente.

É sintomático que os livros de colorir para adultos tenham virado febre no Brasil. “O sucesso é tamanho que as duas obras dessa linha — Jardim Secreto e Floresta Encantada — ambas de Johanna Basford, lideram a lista dos mais vendidos do Publishnews, publicação voltada para o mercado editorial. A primeira vendeu 122.654 exemplares em abril, enquanto a segunda vendeu 109.224. Para se ter uma ideia do quanto esses números representam — sem contar “Plihia”, do padre Marcelo Rossi, também um fenômeno, mas por conta da religião, o terceiro colocado nas vendas — os outros 17 títulos de obras ´convencionais´ componentes da lista dos mais vendidos, juntos, somam 149.075 cópias, enquanto os dois títulos para pintar batem 231.878″, afirma reportagem do UOL, de 5/5.

Uma pena porque, entre outros benefícios, o hábito da leitura previne o Mal de Alzheimer, segundo o neurologista André Matta, professor de neurologia da Universidade Federal Fluminense. “A área do cérebro responsável pela leitura está intimamente ligada à região da memória, assim como às da atenção, da concentração, da visão e da linguagem falada. Quanto mais se estabelecem conexões entre as áreas, mais elas se desenvolvem”, afirma o professor.

Ler, se instruir, desperta também a consciência política, aprimora a capacidade de discernimento para as escolhas, auxilia na detecção de mentiras, hipocrisia e empulhações. Ajuda, enfim, a votar melhor. Epa! Não pretendia ir tão longe. Queiram me desculpar, senhores do apocalipse ético e da desgraça do Brasil.

Bora colorir, pessoal?

Publicado originalmente em setembro/2015