Aqui eu guardo meus escritos.

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Folhetos anônimos

Certamente alguém já viu circulando por aí algum folheto ou carta apócrifos, anônimos, mas não refletiram quanto aos princípios dos mentores ou produtores desses materiais e do porquê aw escondem no manto do anonimato, distribuindo-os de maneira furtiva, oculta, clandestina. Permitam-me expor o que penso:

Da personalidade
Tratam-se, a meu juízo, de pessoas sem caráter, doentes da alma, que Nelson Rodrigues denominaria ´cretinos fundamentais´, capazes de matar pai e mãe para entrar na festa dos órfãos. A indignação das vítimas para eles é o prazer supremo, e sendo assim merecem sentimentos de piedade e comiseração. Sim. A misericórdia deve contemplar aos que sofrem, aos amargurados com a grandeza que se esvai sob o peso do orgulho, da arrogância, da vaidade; aos que se veem envelhecidos na idade cronológica, porém envilecidos na da razão, o que lhes subtrai pudor e senso do ridículo. Ao cidadão e cidadã que já ultrapassaram o “Cabo da Boa Esperança”, os costumes e as tradições humanas lhes negam peremptoriamente o direito às travessuras infanto-juvenis. Se insistem, tornam-se vulgares, bizarros. O poeta português Antero de Quental, a um ancião que o desapontara com uma atitude infantil, disparara: “Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V.Exa. precisa menos cinquenta anos de idade, ou então mais cinquenta de reflexão.”

Ou aos que, desde jovens, optam pela deterioração da personalidade, o que os levará da mesma forma a uma vida que jamais vai lhes outorgar a satisfação completa, sustentada, à plenitude do gozo de viver. Sempre irá lhes faltar alguma coisa, nunca serão integralizadas suas necessidades materiais e afetivas porque canalhice é incompatível com felicidade e paz espiritual. Ego te absolvo a peccatis tuis in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti.

Do estilo
Normalmente os textos sórdidos, torpes, são mal escritos, repletos de erros gramaticais, onde concordância e ortografia são tão difíceis de acertar quanto o prêmio da Mega-Sena, o que reflete o despreparo educacional dos autores. Não que escolaridade seja sinônimo de honradez, não é bem assim. Há crápulas com formação acadêmica, assim como há decência e dignidade na esmagadora maioria dos homens e mulheres com menos preparo escolástico. O que quero salientar é que a ausência do banco escolar é agravante nas mentalidades somente equipadas com um ou dois neurônios, já que o estudo e a cultura poderiam lhes moldar de fora para dentro a percepção de que como seres humanos deveriam contribuir pela edificação moral da espécie, que por uma falha lamentável da matéria tal instinto primevo lhes fora indisponibilizado desde o útero. Então, não é de admirar um arremedo de gente com seu caminhar trôpego, em quatro patas tão figurativas quanto desditosas, ruminando seu amargor e expelindo fel das entranhas. Senhor, tendes piedade!

Da metodologia
Manjadíssima a fórmula, mas que encontra incautos que nela depositam fé, da mesma forma que ainda há os que caem no conto do bilhete premiado. O truque consiste em fornecer uma informação verdadeira, mesclada com uma intercorrência falsa. Ao crer acertadamente na primeira — normalmente algo sobejamente de conhecimento público — a pessoa pouco observadora, de boa-fé, por equivocada dedução irrefletida ou desconhecimento de causa também acredita na segunda, satisfazendo o objetivo da canalha. Por exemplo: determinado gestor público adquire um carro novo, uma casa, uma propriedade rural. Fatos verdadeiros. Mas a premissa sugerida pelos infames, de que o fez por intermédio de falcatruas pode ser falsa, ao menos em alguns casos. Outro exemplo: a prefeitura realiza obras. Fato. Premissa falsa sugerida pelos patifes: alguém está levando vantagens (o que nem sempre é verdade). E por aí afora.

Há de se perguntar, quando forem desmascarados (e um dia a casa cai), a respeito da sabença de um malfeito, de uma ilegalidade, dos que se mostram tão “zelosos” em veicular sorrateiramente supostas maracutaias, por que não o fazem de peito aberto? Por que não recorrem à Justiça, devidamente documentados de suas “descobertas”? Por que, sendo tão “honestos”, tão “cândidos”, tão “honrados” não procuram as vias da legalidade? Por que se escarafuncham nos subterrâneos da indignidade, covardemente, sub-repticiamente, difamando homens e mulheres de bem?

Dos objetivos
A esses valentes não interessa a defesa da moralidade, isso o mais ingênuo petiz de jardim de infância é capaz de perceber. Não são os interesses da sociedade que desejam preservar, nem aí estão para os municípios em que residem. Se fosse, atuariam na planície, com coragem e destemor, longe do valhacouto em que se encafurnam para redigirem os textos perniciosos e Deus sabe mais o quê. Pela forma e estilo, é lícito desconfiar que o que propagam mentirosamente no presente é o que verdadeiramente gostariam de praticar ou intentarão no futuro. Quem tiver olhos de ver nas entrelinhas nunca cairá na esparrela dessas camarilhas farsantes, nunca propiciará habitat aos parasitas. Em vez disso, lhes dedicarão preces.

Finalizando
Os líderes de campanhas políticas que não compactuam com isso deveriam policiar melhor seus áulicos, porque trata-se de um tiro no próprio pé. O eleitor consciente, esclarecido, tende a votar contra, inclina-se a punir nas urnas quem procura lhe manipular, lhe tratar como joguete, como reles marionete. É sempre bom não perder de vista que o Brasil está mudando, que os brasileiros desejam uma política propositiva e moderna, sem baixarias. Quem for incapaz de perceber isso arrisca-se a perder o bonde da história e estacionar melancolicamente no seu limbo.

Desejo que essa gente tacanha, piegas, grotesca e dissimulada emerja da esgotosfera e venha desfrutar da luz que também lhe é destinada. Sinceramente me entristeço pela pequenez dessa gente, pela fragilidade de princípios. E sinto pena, muita pena!

Publicado em setembro/2012

Anjos do lixo

As cenas mostradas pela TV recentemente onde pessoas disputavam os cereais enterrados nos monturos da favela revelam de forma nua e crua como a fome grassa neste país! Dia destes o ‘espetáculo’ transmitido no horário nobre eram crianças brasileiras alvoroçadas qual bandos de aves necrófagas disputando um espaço nos lixões de uma grande metrópole a fim de calarem a fome terrível. Numa cidade do Agreste Pernambucano as câmeras flagraram, noutra ocasião, uma mãe com os olhos nublados pela névoa de desesperança. Ao seu redor, quatro ou cinco crianças esqueléticas, uma das quais bebê a sugar um seio flácido, privado de nutrientes; no fogão a lenha, uma panela com um ralo mingau de farinha de mandioca — o banquete daquele dia.

Essas e outras situações que degeneram a dignidade de um ser humano e o faz igualar-se às espécies irracionais mais primitivas deve ser motivo de urgentes reflexões com tomadas de atitudes práticas mais urgentes ainda por parte de toda a sociedade bem alimentada, das instituições religiosas, das entidades, dos governos. Ninguém poderá se omitir, nem mesmo a boa parcela de pôncios pilatos de todas as classes sociais — não economizam água na lavagem das mãos — por uma simples razão: não haverá, no futuro, organização institucional se não se começar a erradicar, hoje, a condição de miserabilidade de amanhã. Arriscamos regredir ao homem de neandertal e já se veem as nuvens negras se formarem no horizonte: presídios hiperabarrotados com rebeliões e fugas constantes e a violência, de todas as formas imagináveis marcar posição a ferro e fogo no seio da sociedade e se banalizar.

O egoísmo que se generaliza de forma assustadora, traduzido na busca frenética do poder material, eleito como único valor a nortear o rumo de uma existência, está trazendo consequências desastrosas à qualidade de vida na Terra, já que as riquezas existentes são insuficientes para contemplar a todos dentro de uma estrutura desigual e injusta. A ânsia desenfreada na busca ao vil metal, as ambições desmedidas de poder são legados perversos para as gerações vindouras pois se apartam inteiramente das noções básicas de solidariedade, comprometendo as instituições cidadãs do amanhã. A classe política é, disparada, a maior culpada por uma criança ingerir lixo, submeter-se à escravidão ou se prostituir desde os sete ou oito anos de idade para sobreviver.

Dfícil entender como o presidente do Brasil não tem a noção do ridículo ao posar de grande estadista junto às lideranças dos países mais desenvolvidos, daqueles que já perceberam que não é inteligente salvar banqueiros corados em detrimento dos pálidos pelas injustiças. Incompreensível como falta a este personagem a noção de que em tudo há um limite, até mesmo a subserviência imposta pela ignorância e fome compulsórias, ignorando o risco iminente do bando de cordeiros se transformar em selvagens enfurecidos e desencadear um estouro de consequências imponderáveis.

As cenas originadas do desespero pela fome chocam! Ver nos lixões criaturas raquíticas, descalças, desgrenhadas, semidesnudas, rostos manchados pela mistura das excrescências nasais com uma espécie de resíduo betuminoso oriundo da decomposição do lixo, muitas ainda na mais tenra idade, em posição desvantajosa na caça febril de um material que lhes renda alguns trocados, ou de sobras de alimentos mais aproveitáveis para comerem, é demasiado forte à mais estéril sensibilidade.

E a revolta cresce em proporções planetárias quando se sabe que o dinheiro que poria fim a essa infâmia, com generoso troco, é surrupiado por robustos urubus de terno e gravata cujo valhacouto-mor fica no Planalto Central. Exterminar sem dó nem piedade essas aves de rapina,  a sociedade dita mais esclarecida e mais politizada pode e deve fazê-lo. E aquela que de uma ou outra forma se nutre das sobras dos butins dos urubus-reis, é bom se aliar nessa conspiração contra a fome, senão por generosidade, pelo próprio instinto de sobrevivência, sob pena de um exílio forçado em suas fortalezas blindadas mais breve do que se imagina.

Que tal começarmos a faxina cívica em outubro próximo?

Publicado em março/2002

A doce vida de um bandido

No dia 6/10 p.p., aproximadamente às 16h, um homem de cerca de 20 anos fingia comprar alguma coisa no Mercadinho do Povo, em Bom Jesus do Norte, e na hora de pagar anunciou o assalto mostrando um volume por baixo da camisa, que parecia arma de fogo. Ele pegou o dinheiro (cerca de R$ 400) e tentou roubar também uma moto do irmão da moça do caixa, mas este apareceu no momento e desferira um potente soco na barriga do meliante, que se evadiu em desabalada carreira. Saindo ao seu encalço pela Beira-Rio, Bairro Silvana, o rapaz repetira o gesto do ladrão e se jogara no rio, mas do outro lado a Polícia Militar de Bom Jesus do Norte, que fora acionada, capturou o acusado e recuperou o dinheiro. A suposta arma não foi localizada.

Ocorreu um assalto com a imediata e bem sucedida reação da polícia. Legal, não é? Mas o epílogo foi vexaminoso, péssimo para a nossa cidadania. Chegando por volta das 17h30 à Delegacia, o marginal, devidamente algemado e à disposição da autoridade teve de ser solto aproximadamente às 23h do mesmo dia por falta da… autoridade! É que Bom Jesus do Norte, assim como alguns outros municípios pequenos não têm delegados de polícia. Resultado: os presos aqui têm de ser encaminhados a delegados regionais sediados em outros municípios. Como preconiza o Código Penal, todo cidadão preso deve ser encaminhado a esta autoridade, que é quem tem a prerrogativa legal de mantê-lo privado da liberdade, de acordo com a natureza da ocorrência, até a Justiça se manifestar. No caso, era necessário transportar o acusado até Alegre, cerca de 100 km, para que fosse interrogado pelo plantonista da área, mas a polícia não pôde fazê-lo naquela oportunidade.

Resumo da ópera bufa: “Já posso imb´ora”?, celebrou o acusado com os olhos brilhando de excitação, mal disfarçando a alegria pelo bafejo da sorte. E se foi, serelepe, sem que a polícia tivesse sequer a certeza de seu nome e endereço, que dirá de sua folha-corrida (que pode ser ser extensa, quem sabe de alguém perigoso), talvez achando que o crime compensa, e quem sabe planejando novas arremetidas?

Em conversa informal com um policial, observei:

— E se ele retaliar a vítima ou cometer outro crime?

— A gente prende outra vez, redarguiu.

— Mas tem de soltar logo em seguida…, insisti.

— Fazer o quê?, respondeu, com ar resignado.

Casos como este são um acinte ao cidadão honesto, trabalhador, que paga seus escorchantes impostos justamente para ter um pouco de segurança, entre outros serviços públicos que o Estado brasileiro “deveria”, entre aspas, prestar ao seu povo. Quão melancólica foi esta cena kafkiana, que apresentou duramente a realidade de um país voraz na arrecadação de impostos, mas incompetente na mesma proporção ao cumprimento de seus deveres institucionais. Resta torcermos para que este tenha sido um caso isolado, embora injustificável.

Publicado em outubro/2006

Jornalismo não é trincheira da empáfia

Um preâmbulo: o saudoso Paulo Francis disse há muito tempo, no programa televisivo “Manhattan Connection”, ser muito difícil alguém escrever um texto sem usar a palavra “que”. Então eu tentei, e consegui, no texto abaixo, suprimir tal partícula; menos por pedantismo e mais para fortalecer minha argumentação de ser o diploma uma “partícula” também dispensável a um bom texto (concedo-me isso, sem falsa modéstia). 

Tive a oportunidade de ler o artigo do intelectual Delton de Mattos defendendo a ideia de não ser necessário um diploma de curso superior para alguém exercer a profissão de jornalista. Procurei por aqui eventuais conceitos e opiniões contrários, e os encontrei num antigo jornal de Bom Jesus, num texto intitulado “Jornalismo não é para aventureiros de ocasião!”, de autoria de um jovem bom-jesuense formado em Comunicação na época. Ele expôs seu arrazoado veemente na defesa apaixonada do ´canudo´.

Não poderia eu, entretanto, considerar-me plenamente convencido de ser a proposição por ele defendida a mais lógica e racional se houvesse de me valer de ambas as opiniões, pois a do recém-formado só me induziu uma certa frustração, certamente desapontado por ter cursado com as dificuldades inerentes aos estudantes brasileiros uma faculdade durante quatro longos anos para depois ousarem questionar a necessidade de tal curso para exercer a profissão com competência. Esta minha percepção originou-se do estilo indócil do seu artigo, de conotação preconceituosa, autoritária e intolerante, a começar pelo título antiético e revelador de censurável idiossincrasia ao inferir à maioria dos seus colegas de profissão (sabidamente autodidatas) a pecha de “aventureiros de ocasião”.

Não concordo com a seguinte abstração do dramaturgo, escritor e jornalista irlandês Bernard Shaw (por sinal, autodidata assumido): “a juventude é valiosa demais para se desperdiçar com os jovens”, pois entendo os tropeços da juventude como necessários a um amadurecimento gradual e ilimitado. Quando o neófito jornalista menos esperar, a experiência adquirida com o tempo não mais o permitirá cometer equívoco primário como esse tipo de desagravo corporativista irracional e sectário, onde o afã de costurar um libelo em favor da classe ´encanudada´, de maneira inconsistente, estereotipada, e sem contribuir com nenhum fato ou ideia novos o levou a tentar de forma confusa a traçar até mesmo um paralelo delirante entre a Medicina e o Jornalismo, como neste fragmento de seu texto: “Como se poderá prever o resultado de uma incisão se o cirurgião não possui qualificação profissional?”

Uma analogia desproposital! Bisturi é ferramenta de trabalho de jornalista? Não consta existir no currículo de nenhum curso de Comunicação a dissecação de cadáveres — necessária ao aprendizado prático da ciência médica — até por ser impossível o acometimento de moléstias carnais numa pauta ou num texto. As ‘gramaticais’, sim, não se pode negar, pululam por aí como nuvens de gafanhotos. (Aliás, de minha parte procuro espantar ao máximo estes gafanhotos, mas, camonianos, eventualmente também me atingem. Ninguém é infalível em se tratando da última flor do lácio, inculta e bela, não é Bilac?).

Abomino toda discussão de caráter maniqueísta, cujo objetivo é nutrir veleidades, por não condizer com a democracia conquistada a duras penas, pois esta pressupõe o debate abrangente a todas as correntes de opinião. Discordo peremptoriamente de quem teve o privilégio de possuir o dom de escrever e formar opiniões a fazê-lo de forma a transmitir exatamente o oposto do seu dever, incitando a expansão das desigualdades e disseminando o culto ao egocentrismo como valor maior. É uma incongruência de quem vive da liberdade de expressão intentar ações contra ela, como a elegia na defesa da limitação burocrática à livre divulgação do exercício intelectual, fazendo-me lembrar da velha máxima: “A ingratidão é uma das províncias mais povoadas da alma”.

Carlito Maia foi um proeminente jornalista, publicitário, escritor e por mais de 20 anos gerente de Comunicação Social da Rede Globo de Televisão. Um autodidata pertinaz, a exemplo de Joel Silveira, este considerado por Manuel Bandeira o mais destacado repórter da sua geração, cujos livros foram profusamente elogiados por Mário de Andrade, Graciliano Ramos e Afrânio Coutinho. Também existiram outros ´descanudados´ do porte de um Henrique Maximiano Coelho Neto, célebre professor de Literatura e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras; Humberto de Campos, escritor; o cachoeirense Rubem Braga, mestre da crônica; o advogado Assis Chateaubriand, magnata da imprensa, possuidor em determinada época de 34 jornais em 18 estados brasileiros. E tantas e tantas outras mentes geniais a honrarem e dignificarem a profissão de jornalista por este país afora, exercendo-a com a vocação e o dom lustrados única e exclusivamente pela aptidão desenvolvida na escola da vida.

Quando o rapaz dissera, ostentando com acinte mental seu diploma tal como a espada de Dâmocles num trecho de seu infeliz artigo: “é preciso valorizar, honrar e dignificar a profissão”, só faltando completar, “possuindo um diploma”, com certeza só o fez por desconhecer a trajetória profissional de muitos paradigmas autodidatas da imprensa, como os citados acima, entre outros antigos ou contemporâneos. Deixar-se arder pela fogueira das vaidades colocando a soberba individual à frente de um ideal coletivo é uma insensatez e não condiz com o regimento basal dos princípios a nortear secularmente o autêntico homem das letras.

Publicado em julho/1999

Cultura inútil

General Eurico Gaspar Dutra (1883/1974)

Fernando Collor de Melo, poliglota, conversava com os representantes de vários países utilizando-se do idioma do visitante ou visitado. Fernando Henrique também fala vários idiomas, e dizem até que ensinou francês, na França, para os… franceses! Que FHC realmente foi professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, e no famoso Collège de France, na França, não há dúvidas, bem como da Universidade de São Paulo – USP e em universidades de Santiago (Chile), de Stanford e Berkeley (EUA) e na de Cambridge (Inglaterra).

Estes atributos culturais, infelizmente, nao convivem com outros mais edificantes como a sensibilidade e solidariedade que um governante deve ter para com o seu povo. Saudosismo ou não, meu pai assegura que o Brasil de 1946 a 1950 era melhor, guardadas as devidas proporções de modernidade e confortos tecnológicos. O Presidente do país naquela época era o Gen. Eurico Gaspar Dutra, que nao sabia o significado nem a pronúncia sequer de “I love you”.

Segundo se dizia na época (piada ou não), o presidente norte-americano Henry Truman o cumprimentara quando em visita ao Brasil:

— How do you do, Dutra?

Ao que teria respondido o General:

— How tru you tru, Truman?

Publicado em abril/1998