Aqui eu guardo meus escritos.

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Taras sexuais

Nani é, para mim, um dos mais notáveis cartunistas brasileiros. Passei a me deliciar com seus traços nos idos de 1970/1980, principalmente na temática “futebol”. Na charge acima, em enunciado de duplo sentido, sortudo é o necrófilo que vai entrar numa “podre”, já que necrofilia é a perversão do indivíduo que viola cadáveres com objetivo sexual.

Seres humanos possuem as mais diversas e mirabolantes taras. O voyeurismo, uma desordem que consiste em observar às escondidas as pessoas se despindo ou praticando atos sexuais, é uma das mais comuns. Também o sadomasoquismo, uma combinação de sadismo (só se realiza se infligir humilhação ou sofrimento físico no parceiro) e masoquismo (o inverso; só se realiza submetendo-se à humilhação ou ao sofrimento) é bem comum também. A relação de desvios é extensa. Eis mais alguns:

Dendrofilia: Atração sexual por árvores, legumes, frutas, etc.
Pedofilia: Atração sexual de adultos por crianças.
Fetichismo: Perversão que consiste em exteriorizar o desejo não em relação a uma pessoa, mas a uma parte dela ou a um objeto de seu uso.
Froteurismo: Impulso irrefreável de se encostar em mulheres ou de afagá-las eroticamente em lugares públicos.
Exibicionismo: Exibir órgãos genitais a outras pessoas.
Hipoxifilia: o hipoxifílico sente atração por teor reduzido de oxigênio. Utiliza normalmente sacos plásticos amarrados na cabeça.
Coprofilia: Pessoa que se realiza sexualmente sentindo cheiros da flatulência do parceiro ou contato com fezes.
Urofilia: Variante da coprofilia, os parceiros se excitam urinando no outro ou recebendo urina.
Zoofilia ou bestialismo: Sexo com animais.
Emetofilia: Estimulação sexual ao vomitar em alguém ou receber, em si, o vômito.
Clismafilia: Excitação provocada na pessoa que introduz líquido no reto – enema.

Publicado em maio/2013

Oh!, cupido, vê se deixa em paz

 

Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor./Finge tão completamente,/que chega a fingir que é dor,/a dor que deveras sente/.

Eu costumo fazer alguns arranjos de palavras rimadas. Produção caseira, para subsistência; uns bons, outros maus, manda dizer a autocrítica. Mas daí a me considerar um poeta, na acepção da palavra, a distância é grande. Mesmo assim também tenho cá meus fingimentos. E quem não os tem?

Lá pelos 30 fiz um soneto intitulado Achar-te-ei, lamento condoreiro sobre a busca utópica do amor. Publicado na Revista Status muitos anos depois, uma leitora gostou tanto que enviou um e-mail me incentivando a continuar a busca (do amor), sem atentar que eventualmente, ao menos, a fantasia pode se dissociar da realidade, mormente nas produções literárias. Não consta que Vladimir Nabokov, por exemplo, gostava de meninas de 12 anos, tal como o seu personagem Humbert Humbert magistralmente concebido no best-seller Lolita.

O porquê destes considerandos é a propósito de cupido, também conhecido como Amor. Era o deus equivalente em Roma ao deus grego Eros. Filho de Vênus e de Marte, (o deus da guerra), andava sempre com seu arco, pronto para disparar sobre o coração de homens e deuses. Teve um romance famoso com a princesa Psiquê, a deusa da alma.

O chargista Nani imaginou como seria cupido na Terceira Idade, banguela e já meio cegueta, sem pontaria. A flecha que deveria cravar no coração da moça, despertando nela o amor pelo “reclamante” atinge tudo ao redor, menos o alvo fundamental. E minha doce leitora me imagina serelepe aos 59 anos, aos berros quiméricos reclamando a falta de pontaria de cupido!

Não carece reclamar, solidária leitora. Meu cupido não pode mais flechar ninguém simplesmente porque já o mandei estudar a geologia dos campos-santos, he, he, he.

Publicado em outubro/2013

Papiro teria indicado que Jesus Cristo foi um homem casado; nada demais, se tivesse sido

 

Sou contra o celibato de líderes religiosos. Se tiver de me aprofundar na doutrina, nos conceitos que a Igreja tem para defender este comportamento radical e milenar, poderei ser ridicularizado porque não tenho capacidade intelectual para isso. Valho-me apenas da lógica, da racionalidade: se o padre é um ser humano, por que lhe negar exercer instinto tão humano como o da relação sexual? Principalmente se tal relação esteja em consonância com a ética, com os costumes, afiançados, atestados pela própria Igreja na instituição do casamento, que mal haverá?

Eu até escrevi um texto a respeito, na ocasião em que, aqui mesmo, em Bom Jesus, um padre teria caído na tentação da carne. E principalmente após vir à tona os escândalos de pedofilia na Igreja, o celibato tornou ao cenário da polêmica. Até mesmo Jesus Cristo, segundo Karen L. King, historiadora da Universidade de Harvard, teria sido casado, fato que, segundo ela, é comprovado num papiro do século IV.  Foi o que bastou para o criativo cartunista Nani criar a charge engraçada.

Publicado em maio/2013

Sou liberal, progressista, esquerdista, centrista, direitista, tradicionalista, conservador, com muito orgulho, com muito amor…

 

Um leitor me acusa de ser reacionário, conservador; de que sou uma espécie de carpideira da ditadura dos generais; de que sou um imperialista que derramou lágrimas de sangue pelo recente falecimento de Mrs. Tatcher — a Dama de Ferro; de que não vejo a hora de Fidel se encontrar com o Tinhoso, e tive orgasmos múltiplos quando Chávez o fez; de que sou um preclaro direitista, antiliberal, e acusações outras.

Tolinho! Eu não passo de um pobre-coitado carente de ideologia (queria uma pra viver). Como estou me referindo a ideologia política, e como quem as tecem são os líderes políticos, querem ver como é difícil achar uma para encostar o esqueleto carcomido pelo tempo? Por exemplo: algum bom-jesuense pode apontar um político contemporâneo da terrinha, unzinho só e dizer: aí está um exemplo de idealista? Um homem ou uma mulher nos quais se pode observar princípios claros, valores transparentes? Que sacrifiquem uma eleição se tiverem de ganhá-la com acordos espúrios, incompatíveis com seus conceitos e referenciais de vida?

Se o político A é inimigo figadal de B (inclusive no aspecto doutrinário), mas se a união de ambos for interessante personalisticamente para os dois, alguém duvida de que se unirão? Não aposto uma mariola mordida! Aliás, vejam as últimas eleições por estas bandas. Em nível nacional, Fernando Collor, quando em campanha em 1989, dizia ser a primeira coisa a fazer ao conquistar a Presidência era mandar prender o antecessor, José Sarney. Vejam na foto que cena comovente do “prendedor”, à esquerda, e do “prendido”, hoje.

Pelo bem da nação, um não prendeu o outro
Se alguém tivesse sido conservado em criogenia logo após ter ouvido a ameaça do antigo “caçador de marajás”, de que não só iria prender Sarney, como também raspar seu indefectível bigode, e esse alguém entrasse na contemporaneidade depois de ser descongelado, poderia até pensar que a vestal Collor, na foto, estivesse confabulando com o facínora arrependido, depois que este purgou, pela lei dos homens, todos os seus pecados. Voltaria instantaneamente para o gelo químico logo que conhecesse a realidade!E tantos outros casos, que quem quiser pesquisar na Internet encontra à mancheia, como a do próprio Lula, que vivia “combatendo as elites” e os “imperialistas”, mas se encantou com um daqueles “bichos” que mais combatia. O multimilionário legítimo exemplar da elite, o ianque empedernido, fã de carteirinha do verde-oliva e dos coturnos, Paulo Maluf, procurado pela Interpol em 186 países onde será preso se desembarcar nalgum deles, virou amigo do ex-presidente, assim, tipo unha e carne, vejam a foto.

Pois é. O tal do pragmatismo foi comendo, de forma voraz e inclemente, tal como aquele joguinho Pacman, os fundamentos filosóficos da política. Acaso temos direita aqui no Brasil? Esquerda? Centro? Não há nada disso, gente, apenas interesses muitíssimo bem orquestrados. Agremiações políticas de há muito perderam a aura romântica de serem representativas de uma causa. Nesse estado de vazio ideológico, as críticas e (vá lá) os elogios são direcionados aos agentes, e não ao que inexiste, é óbvio.

Apegado aos rótulos, às nomenclaturas remanescentes apenas como referências, quem me acusa de estar ao lado direito de Deus Pai (acredite, leitor, os comunistas de hoje comem hóstias e fazem o Sinal da Cruz três vezes ao dia) considera-se certamente um esquerdista. Não é não, sinto dizer que você também não tem uma ideologia pra chamar de sua. Você, amigo, embora bem-intencionado, é apenas mais um figurante, como eu, da tragicomédia brasileira.

E vamos combinar: eu sou o início, o fim e o meio, como cantava Raul.

Publicado em setembro/2013