Aqui eu guardo meus escritos.

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A poesia arrefece as dores. Eu me aliviei, me alivio e me aliviarei, e sugiro que você experimente a balsâmica substância

No outono da experiência, lembro-me da primavera verdejante de dúvidas e incertezas. De 18 para 19, a paixão avassaladora: Maria das Dores (e de dor é que falarei). Residente na mesma rua em que eu morava. Nenhuma abstração era capaz de ofuscá-la no pensamento. Último rosto do dia moldado pelas sinapses ao dormir; primeiro, ao acordar. No ônibus, em casa, “na rua, na chuva, na fazenda”, no trabalho, na escola… Ela! Papo com os amigos, assunto único, que entediava a eles tanto quanto me incendiava a loquacidade. Encantamento, fascínio. Um Ford Corcel GT conversível, sonho de bem material tão impossível quanto a materialização do sonho de um amor continuado, imaginando-a ao meu lado com as madeixas ao vento, aqueles cabelos lindíssimos, fartos, compridos, bem cuidados, — negros como as asas da Graúna, Alencar! — emoldurando uma face morena, meiga, angelical, olhos vivazes, sonhadores. Uns 10 meses depois, o dia aterrador:

— Tchau, José Henrique, acabou — foi a sentença cruel, dilacerante, pronunciada de chofre, menos por crueldade que pelo pragmatismo e objetividade da inocência que desconhece meias palavras, falsidade, dissimulação. Fui à escola, à noite, também naquele dia inolvidável, embora sem disposição. Tudo passou a ser tão horrivelmente diferente naquelas ruas, naquele bairro, naquela escola, naquela terra agora inóspita, absurdamente descolorida, incrivelmente solitária! Na sala de aula nada eu distinguia daquela algaravia patética, produzida por bocas patéticas, de colegas trajados com patéticas camisas apertadas, as calças patéticas de bocas largas, eles achando interessante tudo o que era patético. Parafraseando Nabokov, os eflúvios de equilíbrio, conformação, grandeza, otimismo, fé, esperança eram por demais tênues para que pudessem se distinguir na imaginação de um louco. Levanto os olhos casualmente. Então a lousa passou a me sussurrar com ternura, com indizível carinho:

Chora de manso e no íntimo… procura,
curtir sem queixa o mal que te crucia:
o mundo é sem piedade, e até riria
da tua inconsolável amargura.

Só a dor enobrece, e é grande, e é pura.
Aprende a amá-la, que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
e será, ela só, tua ventura…

A vida é vã como a sombra que passa…
sofre sereno e de alma sobranceira,
sem um grito sequer, tua desgraça.

Encerra em ti tua tristeza inteira.
E peça humildemente a Deus que a faça
tua doce e constante companheira…

“Renúncia”, soneto de Manuel Bandeira. Anotei-o, decorei-o, lustrei cada letra, cada sílaba, cada palavra com o esmero de um joalheiro tratando suas pedras. A professora o havia transcrito para aquela aula de português, mas sei que com exclusividade para mim, inspirada por algum anjo. As palavras do poeta foram um bálsamo, um potente anestésico na psique. Amar a dor, transformá-la em alegria, sofrer sem gritar…, que sacada. E ainda um rabo de papel no traseiro do mundo impiedoso, a ridicularizá-lo. Genial!

Salvou-me a poesia. Daí, amasiei-me com elas, em especial com os sonetos, que Guilherme de Almeida disse ser “a fôrma da perfeita forma” e “quatorze degraus da perfeição”. Genérica, de larga amplitude, é uma panaceia.

Encerro
Pode ser que este texto seja objeto de alguma troça, umas caras de paisagem, semblantes irônicos, risinhos sarcásticos, sobrancelhas em trêmulas volutas até os topos de crânios calvos. Mas inclusive a estes, mais que lhes dar a conhecer uma quadra de vida juvenil, desejo afirmar minha convicção inspirada por Schopenhauer, que escreveu: “quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor. Quanto mais elevado é o espírito do homem, mais sofre. A vida não é mais do que uma luta pela existência, com a certeza de sermos vencidos. A vida é uma história da dor”.

E a poesia fortalece o espírito para essa que é inexorável na vida de todos nós, sejam as físicas ou as da alma.

Texto produzido em data incerta

Ana Lara: um anjo loiro encantador!

Diz-se que avôs e avós são mais corujas que os pais. Vejo por aí uma plêiade de vovôs e vovós compondo regularmente panegíricos aos netos e netas, extasiados com a doçura dos pequerruchos, cheios de amor e de desvelo. Também sou avô, do Lucas, que hoje tem 12 anos. Não lhe dediquei nenhum texto laudatório, entretanto, porque não me ocorreu pontuar meu afeto por ele também dessa maneira. E como nessa idade ele certamente não iria gostar de babação de avô, faço-o com Ana Lara, que não é minha neta, mas considero como se fosse. E duvido que haja avô de verdade mais babão que este avô postiço.

Larinha é irmã materna do meu filho caçula Gabriel, filha de minha ex, Silvana. Uma doçura de criança em todos os sentidos. Não tem preconceito a colos, é simpática com todo mundo e, aonde vai, logo se adapta, arrebatando os corações de tantos quantos interagem com ela. Aos dois anos ainda não articula direito as frases, mas é delicioso conversar com ela, que repete como um gravador automático.

— O gatinho branco está debaixo da cama — falo. E ela responde no seu idioma próprio, que não sei reproduzir direito, cravando nos meus aqueles olhos fascinantes, de um azul ultramarino:

— Gatin banco basso da cama? Ou então, — o gatin peúdo (peludo); — a bola maela (amarela); — a tia ´tuli´ (Suely), etc.

Que a pequena Lara seja feliz em todos os momentos de sua existência, com a divindade lhe suavizando os espinhos da vida. Que seja uma criança livre, bem orientada, respeitada, gozando de uma infância plena de encantamentos; que seja uma adolescente inteligente e de mente sã; uma adulta realizada e feliz. As pequenas e esporádicas frações de tempo que eventualmente desfruto com Larinha (ela mora com a mãe em outro estado) são momentos deliciosos. Até bom, talvez, que as oportunidades sejam mesmo escassas, porque dizem que tudo em exagero faz mal. Assim, ela se livra de um chato quase sexagenário a lhe torrar a paciência, e eu me arrisco menos a ter um piripaque por excesso de ternura e de carinho.

Publicado em julho/2013

Bonjesino e Calçadino

Retornava de São José do Calçado dia destes quando, ao divisar a Praça São João, entrada de Bom Jesus do Norte, cheguei a me assustar com as duas figuras que vi ao longe. Melhor dizendo: dois guarda-roupas envernizados na tonalidade mogno! Ao me aproximar, a constatação: eram Bonjesino e outro ciclope até então desconhecido.

— Para aí, chefia — arremeteu o gigante em frente à moto ainda em movimento, aquela mão direita descomunal espalmada no ar em saudação à moda hitlerista. — Há quanto tempo não o vejo, meu cronista predileto — trovejou, já dando o abraço de paquiderme antes mesmo que eu parasse.

— Como tem passado, Bonjesino?

— Se melhorar, estraga. E você, chefia?

— Fora o reumatismo e a psoríase…

— Tá vindo de São José das Broas?

— Broinhas — respondi à menção da alcunha que antigamente dava até morte, mas que o povo calçadense atual aceita de boa.

Para quem não sabe, Bonjesino é meu imaginário coadjuvante, um mulato gigantesco no tamanho tanto vertical quanto horizontal. Boa-praça, de índole pacífica, ingênuo como uma criança, só fica zangado quando alguém critica os políticos brasileiros, especialmente os de suas Bom Jesus, que ele julga os mais competentes, realizadores e honestos do Planeta. Aí, sai de baixo!

— Broinhas, é? Nem todos, nem todos. Olha um broão ali — disse, apontando o indicador com uma unha duvidosa em direção ao seu acompanhante todo sorrisos.

— Tripé, chega mais — berrou, apresentando-me: — Meu primo, chefia. Mais broa que fubá com leite no forno.

— Muito prazer — disse o novo bólido, oferecendo a mão ameaçadora que deixou a minha mais que dolorida, com sintoma de esmagamento dos metacarpos.

— Ui, digo, prazer…

— Calçadino, às suas ordens — fez uma mesura tão mal enjambrada que quase caiu.

— Mas… Tripé?

— Apelido de Calçadino, chefia — atalhou Bonjesino — Inventaram uma vez que viram ele pelado…, e pegou.

— Entendi. A propósito, Bonjesino, você não tem apelido, pelo menos eu não conheço.

— Bem que tentaram, chefia, mas comecei a dar porrada a três por dois, aí pararam.

—  Qual era?

— Tromba.

— Entendi também.

— Zêinrriqui, viu como Calçado está uma maravilha? Nossa prefeita, além de bonita, elegante, é tão competente… Está transformando nossa cidade na mais moderna e desenvolvida do estado, do país, talvez do mundo… — jogou Calçadino por terra com estas palavras minha esperança de que um confronto ideológico em família pudesse equilibrar os discursos de adoração.

— Pegou a doença de Bonjesino? — retruquei.

Naquele momento quatro sobrancelhas espessas deram uma guinada vertiginosa, transformando-se em traços que lembravam os de cartunistas de terror. Dois pares de olhos me fulminavam.

— Não falei, primo, não falei? É esse… o escrevedorzinho rabugento, que adora criticar — disse entredentes Bonjesino. E antes que meu desmesurado acusador desfiasse contra mim todo o mantra acumulado ao longo de anos de uma amizade conturbada, pedi:

— Stop. Seu primo, pelo visto, é tão exagerado quanto você. Concordo que a prefeita de lá é bonita e elegante. Parece que ela é bem intencionada, mas…

— Nem mas, nem porém, todavia, contudo. O primo Calçadino está certo. Aquela cidade encantadora entre montanhas e flores está mais encantadora e mais entre montanhas e flores do que nunca.

Foi aí que minha antiga rapidez de raciocínio despertou de uma longa hibernação para alfinetar:

— Claro, claro. Em termos comparativos com lugares em redor… ­— pausei com uma olhada cínica para o nada, a boca num esgar de falso conformismo para dar mais ênfase no complemento: — … Calçado é mesmo uma pérola…

— Opa. Captei vossa mensagem. Poparáááá. Embora não tão privilegiadas pela mãe natureza como Calçado, as duas cidades de Bom Jesus estão um brinco, porque nossas autoridades nem conseguem dormir de tão preocupadas com a boniteza, com a paisagem e a mobilidade urbanas. Aliás, coitadinhos de nossos prefeitos, vereadores, secretários, e até carimbadores adjuntos. Chegam a trabalhar 24 horas por dia de tão comprometidos em resolver todos os nossos problemas…

— Sei…, sei…

— Não faça essa cara de paisagem, chefia. Aquela rua que você passa com essa moto velha todo dia pra subir o morro, por exemplo… Viu o calçamento que refizeram? Hein? Hein? Se eu fosse você teria vergonha de botar um troço tão decrépito pra rodar num tapete como aquele.

— Só faltava deixarem aquilo como estava, Bonjesino. Uma montanha russa, com mais entrâncias e reentrâncias que o Grand Canyon, isso sim.

— Mas só ficou desse jeito uns cinco anos, seu maledicente. O pessoal é rápido pra resolver as coisas…

Nesse momento Calçadino apartou:

— Falar nisso, a estradinha que contorna nossa cidade não ficou uma joia rara? Alguém por aí criticava tanto… — interrompeu o broão com olhos enviesados, como os da cigana oblíqua e dissimulada machadiana. — Quero ver agora os elogios — disparou, gestos ainda mais eloquentes que as palavras.

— Pode esperar sentado, primo, que em pé cansa. Gente como essa… — interveio Bonjesino desdenhosamente, com ares de muxoxo.

— Vocês acham mesmo que aquilo podia ficar do jeito que estava há mais de século? — exagerei. — Mais um segundo que seja com todo aquele barreiro e poeireiro? —- abusei do exagero, incluindo o neologismo para reforçar a provocação.

— Tsc., tsc, tsc. Como você aguenta, primo Bonjesino?

— Depois do que ele deitou falação daquele trechinho que vai de Bom Jesus ao Cruzamento de Itaperuna…, tô pensando em desistir dessa amizade, primo Calçadino.

— O que eu disse de mais? — perguntei. — Que depois do Cruzamento em direção a Itaperuna e ao Rio de Janeiro a BR parece uma rodovia da Suíça, e o nosso pedaço, um queijo suíço?

— Como se não soubesse que a estrada é estadual e não depende do município — lembrou Bonjesino, na defensiva.

— Saber, eu sei. Você que não entendeu quando eu disse da falta de representatividade, de pressão política. Quantos bom-jesuenses trafegam por aquela estrada diariamente, décadas e décadas pulando mais que pipoca na panela, correndo riscos por falta de sinalização. Incrível estar assim até hoje.

— Viu, Calçadino, como esse homem é ansioso? E virando-se para mim, explicou, num didatismo malemolente:

— Chefia, se liga. O que são alguns anos de espera para um benefício eterno? Não tem nem 30 anos que a estrada está ruim e você já quer logo asfaltinho niveladinho, acostamentinho direitinho, faixinhas amarelinhas e branquinhas, até plaquinhas indicativinhas…

— Para com essa viadagem, Bonjesino. O dia que morrer um parente seu acidentado…

— Cruzes. Xô urubu. Além de maldoso com nossas incansáveis autoridades, virou agourento também? Esse, primo, é capaz de criticar até o sagrado Lula, aquele bem-aventurado que tirou os brasileiros da miséria. Eu mesmo… snif, snif — um soluço o obrigou a uma pausa, mas esforçando-se para se recompor, Bonjesino prosseguiu: — eu mesmo só fui saber o gosto de um bife de paleta depois que o idolatrado Lula me deu Bolsa Família. Um santo…, um  santo.

— Do pau oco.

— Depois de velho deu pra obscenidades, chefia? Saiba que o divino Lula é homem com H. Casado, teve filhos…

— Nãoooo, Bonjesino. Só a casca, entendeu? Só a casca é de santo, por dentro é oco, oquinho da silva.

— Oquinho é você. Oquinho e ingrato. Mas vai ser castigado, ah, se vai. Sabe como? Tendo vida longa pra poder engolir, e até escrever, quando o Vaticano beatificar e depois santificar esse homem enviado por Deus.

— Querem saber? Passem bem, que já estou indo.

— Espera, chefia. Vamos marcar uma hora pra a gente conversar mais. Você, eu, Calçadino, Apiaquino…

— Quem?

— Nosso primo Apiaquino, de…

— Apiacá?

— Adivinhão!

— Adoraria — disse eu depois de um momento para me refazer do susto. — Mas não vai dar porque estou preparando minha mudança.

— Vai mudar pra onde, homem de Deus?

— Quirquistão.

— !!!???

Publicado em junho/2015

Dilma homenageia a mandioca devidamente acomodada no fiofó dos brasileiros, com perdão da chulice

Antigamente, quando não existia a necessidade frenética da afirmação da igualdade de gêneros, as pessoas eram mais felizes, mais espontâneas. Seres humanos eram homens e mulheres, que daqui a pouco pode vir algum babaca dito progressista encrencar com a terminologia e incutir nas mentes politicamente corretas e ridiculamente equívocas que se deve instituir ser humano, para o gênero masculino, e ser humana, para o feminino.

Eu mesmo, que em tempos memoráveis escrevia para meus leitores, que, claro, incluía homens e mulheres… (Epa! Uma pausa. Na época do bom e velho ginásio, nos era ensinado que ao misturar palavras masculinas e femininas, a fusão deveria gerar um termo masculino. “Machos e fêmeas humanos”; “os pais”, designando progenitor e progenitora; “os jovens”, “os consumidores”, etc., etc., etc. Então, progressistos e progressistas chinfrins, eis outra dica para preencher o tempo da sua falta do que fazer. Obriguem a falar e a escrever o pai e a mãe, o jovem e a jóvena, ou o adolescente e a adolescenta. Aquela cidadã não é presidenta? Nem vai faltar jurisprudência.)

Mas ia dizendo que meus textos faziam referência aos leitores, até que um dia uma leitora questionou: “Você só escreve para homens?” Surpresa! Espanto! Daí em diante passei a me dirigir ao amável leitor e à graciosa leitora, entendendo aí os adjetivos, mais que gentileza, uma forma de amenizar meu desconforto na adaptação a esses tempos de valores e cultura incrivelmente superficiais.

Ocorre-me a equação do biscoito: é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque fresquinho. Nós tivemos um presidente — e ainda o temos como eminência parda — que dizia se orgulhar de ter nascido de mãe analfabeta e de que o diploma superior que recebeu não veio das universidades, mas das urnas. O presidente semianalfabeto foi quem inspirou, estimulou a relativização do preparo intelectual, ou a era que relativizou o preparo pariu o presidente semianalfabeto? Não por acaso a presidenta, que não tem um primeiro-damo, pelo que sei, dia desses fez uma ode à mandioca. Talvez como reflexo condicionado por ter inserido a dita-cuja figuradamente no orifício do povo, mandou ver, quando discursava no lançamento dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, que serão realizados em Palmas/TO, de 20/10 a 1/11/15: “Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação. E aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles, nós temos a mandioca. Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil”.

Uma pensadora, que faria corar de inveja Schopenhauer! Mas espere, que uma mente genial desse jaez não poderia se satisfazer apenas com a lírica homenagem à mandioca. Ela resolveu também brigar com dicionários e enciclopédias do mundo todo, que não flexibilizam o termo milenar “homo sapiens”. Daqui em diante, cesse tudo o que a antiga musa canta que outro valor mais alto se levanta: sua excelentíssima, com excelsa sabedoria, membro de escol do clube do politicamente correto, decretou que agora temos a “mulher sapiens”. Ao receber um souvenir das mãos de um participante neozelandês, na forma de uma bola de folha de bananeira, a presidente ensinou, generosa: “pra mim essa bola é um símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em homos sapiens, ou mulheres sapiens.”

É nóis!

Publicado em julho/2015

Duelos em Itabapoana Valley – IV

 

APIACÁ CITY
O cowboy Bethin “The Kid” é xerife do condado há six years. A primeira vez que The Kid assumiu foi em fins de 2010, muitos lembrando-se da escaramuça que derrubou Keres Joseph. Este era o xerife de Apiacá City, cargo que ganhou nas elections de 2008, mas o terrível pistoleiro The Kid acertou uma saraivada de balas, depois do duelo, em Keres Joseph, com o auxílio da mira telescópica da Electoral Justice, que considerou Keres Joseph um fora da lei por ter supostamente comprado munição (votos) de forma ilegal.

Pois bem: Bethin The Kid “xerifou” nos últimos four years por ter sido re-elected, e portanto não pode manejar seu arsenal diretamente now. Mas doou as armas a seu xará Bethin Mirando, que vai para o front com a ex-secretary de Social Action, Rose Anne, e contará ainda com o revólver de aluguel do famoso matador Allan Dirck, ex-xerife, entre outros colts, Smiths and Wessons, etc.

Ocorre que Carl Magnum Oliver, apelidado K.K. (Kid Killer), que foi camarada de Bethin The Kid nas elections de 2008 como vice-xerife, logo em seguida rompeu relactions, tornando-se um forte rival. Então K.K., que por pouco não venceu o combate com The Kid em 2012, disse que não deixará barato para Mirando e Rose Anne, preparando sua brava wife, Heidy Lane, para acompanhar como vice um pistoleiro que vai se apresentar first time nas pradarias de Apiacá City: your name is Phabrice du Post.

Phabrice reuniu, além de K.K. (que vai se tornar um atirador ainda mais perigoso ao defender sua woman), alguns pistoleiros igualmente sinistros, como o próprio Keres Joseph, que está com gosto de sangue na boca desde 2008, bem como outros com a faca entre os dentes. Du Post, portanto, terá dificuldade em justificar uma possível derrota, pois “combustível” não lhe faltará.

Também em Apiacá City há um terceiro homem em conflito, que é o Doctor Roy, pistoleiro tão genuíno que até o nome real remete a bang-bang, sequer permitindo ao cronista tupiniquim fazer um trocadilho yankee. Interessante é que também ele escolheu uma woman para lhe acompanhar os passos, acender a fogueira para o bule, cerzir as  t-shirts, essas coisas. O nome dela é Ann Beatrix.

GOOD NORTH OF JESUS
O clã liderado pelo legendário ex-xerife, ex-deputy e ex-president do Tribunal of Counts E.S. State, Humbert Mess, resolveu colocar na linha de frente o filho dele, Mark Mess. E Mark vai muito confiante para o combate com sua vice Angel K. Bathist, inclusive porque atraiu para o seu lado um até então inimigo histórico do clã, o terrível pistoleiro que também foi xerife: doctor Ted Elbah Tist.

Parecia até pouco tempo atrás impossível Ted Elbah Tist aliar-se a essa força, já que ele e Humbert Mess nem sequer se tratavam pelos nomes, como inimigos ferrenhos que eram. Inclusive, na batalha anterior de 2012, Ted Elbah Tist duelava justamente contra Mark Mess, que era vice do tio, Ubald, por sua vez irmão de Humbert. Naquela ocasião, Ted Elbah Tist lutou com unhas, dentes e demais protuberâncias em favor de Peter Chats, inclusive cedendo a Chats o próprio filho Djangorson, como vice.

Mesmo assim não deu; Ubald levou. Especulo que até o forasteiro Doctor Ad Masterson, que igualmente havia ganhado de Mark Mess em 2008 quando Mess vinha na linha de frente, também se engajou. Mas careço de confirmation, coloquei aqui mais pela brincadeira com o nome de William Barclay Bat Masterson, lendário personagem real do velho oeste americano que inspirou até música.

But, contudo e todavia, tal e qual um abnegado Franco Nero, o pistoleiro Anthony Gualhan promete disparar sua metralhadora e resistir até a última bala, colocando-se como alternative. E conta com o auxílio de uma pistola bem lustrada, embora pouco barulhenta, de Faust Baptist, que não foi xerife mas exerceu important political functions no condado. Além de Gualhan, um tal Saloon Thiel também se apresentará no duelo, assim como Mark Hon Daexcel , Fabhin Domanec  e  Aloys Texan.

SAN JOSÉ DEL CALÇADO
Joseph Karl havia ganhado milagrosamente em 2008 do pistoleiro de olhos frios, porém azuis com as águas do oceano, Blue Eyes All Mars. All Mars estava tão seguro da vitória, e seu adversário para ele tão insignificante que, ferido mortal e irremediavelmente naquela contenda, fez lembrar uma das cenas mais famosas do western, protagonizada por Henry Fonda e Charles Bronson no clássico “Era uma vez no oeste”, do diretor Sérgio Leone. Foi quando os olhos azuis ultramarinos de um Fonda tombado, perplexo, agonizante, fixaram os de Bronson, que o havia atingido no memorável duelo, e balbuciou: “who are you?”.

Joseph Karl, porém, recebeu o troco em 2012, fulminado pela bela amazon Lili Ann. Ele não perguntou “quem é você?”, pois já a conhecia, e ao marido desta, o ex-xerife Jeff Spad Bulls, mas certamente também ficou surpreso até por ter recebido poucos tiros a mais. E neste ano Karl irá novamente para a frente da batalha disputar, juntamente com o vice The-The, contra as forças de Lili Ann, representada pelo Teacher Cyro e seu vice Antery Anteror Dibrow. Também o ágil pistoleiro Anthony, mais conhecido como Kuik pode produzir uma carnificina no palco da batalha, que terá ainda outro contendor, um tal Bodok.

GOOD ITABAPOANA JESUS

Save Sboy é o representante da situação, comandada pela atual xerife Mary Grace Mott — a White Mott — e pelo marido desta, o ex-xerife com cara de bad, Michael Mott. O ex-governor del state, Serg Cab All e o atual governor licenciado Lux Ferdinand, também conhecido como Big Foot são os maiores apoiadores.

Mas Save Sboy terá de medir forças com os preteens Robert Tatoo e Paul Cyrill Jr. Tatoo será o pistoleiro principal, seguido do vice Jr., que vem a ser filho do ex-xerife Paul Cyrill. E com as bênçãos materiais deste mais vigoroso apoiador, juntamente com as bênçãos também dos ex-governors Anthony Little Boy e sua wife Rose-inh Little Boy, conclamando terem, além do mais. os louvores espirituais de Carl Garcy, o maior xerife que existiu no condado (recentemente dead), Tatoo e Cyrill Jr. terão de lutar com o young Save Sboy, mas também com pistoleiros veteranos, como o old man Paul Port e Sam Júnior (este, acompanhado do seu vice Maurice Sza Non).

Paul Port foi xerife e federal deputy, e embora exerça na atualidade atividades de doctor in health, promete realizar o inverso desse seu mister na linha de frente: matar. Para isso, terá ao seu lado o vice Carl Neil , além do apoio do very, very, very old governor in exercise, Francis Door Nels.

Good luck to everyone.

Publicado em setembro/2016