Aqui eu guardo meus escritos.

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O Grande Irmão já encheu o saco

Está a cada ano mais difícil aturar o tal do BBB (Big Brother Brasil), que tal e qual as ervas daninhas tomou de assalto o terreno já infértil de nossa Cultura, boas maneiras e espontaneidade. Em sinal de protesto, todos os que pensam assim deveriam contribuir de alguma forma pela redução dos níveis de audiência da Globo.

Impossível encontrar algo que se possa concluir proveitoso no confinamento de deslumbradas e deslumbrados que, num passe de mágica, pulam da insignificância para o estrelato. Triste país este, em que pessoas que nada fizeram de útil, de proveitoso para a sua espécie são premiadas com uma montanha de dinheiro ou, na pior hipótese, com a facilidade de ganhá-lo fácil com a brusca notoriedade. A ignorância, o vazio de ideias, a incapacidade produtiva, a falta de cultura — às vezes de estudo — passaram a ser características altamente meritórias e quem as portam merecedores de carrões zero km, de milhões de Reais, do glamour e da fama proporcionados pelas lentes de uma emissora que adentra os lares brasileiros do Oiapoque ao Chuí, dos Pampas aos Seringais.

Um jogador de futebol que pronuncia “a gente vamos ganhar”, mas, por outro lado, nos oferece sua arte, seu esforço físico e o prazer  de um gol ou de uma vitória, ainda que ganhe fortunas, mesmo no Brasil. Mas convenhamos que pagar pelo vulgar e pelo ordinário é uma completa inversão de valores e dá bem a tônica da loucura, da insanidade a que chegou o comportamento contemporâneo. Deste lado do equador é incomum a valorização da Inteligência, da História, da Ciência, da Cultura. A liturgia do egocentrismo e da vaidade, lustrada por corpos esculturais é que está em voga. Quer dizer: mais vale hoje em dia possuir uma bunda proeminente ou um músculo rijo do que massa cinzenta na cabeça.

É lamentável, absolutamente constrangedor ver o jornalista Pedro Bial, destacado profissional de sua geração, homem culto e sensível, tirar Deus sabe lá de onde uma maneira de fingir que se diverte com o espúrio, com o ridículo, com a vulgaridade. Seu contrato de trabalho deve ter cláusulas draconianas!

Rotulem-me do que quiserem os que discordem. Insisto em que nada aproveitamos por contemplar a convivência de pessoas cujo único objetivo é ganhar dinheiro e fama, tendo até mesmo algumas delas, por vezes, de se comportar ao largo da ética e da moral, simulando caráter e dissimulando fraquezas, esforçando-se em nos iludir que ali estão na maior naturalidade e espontaneidade. Não deveríamos pactuar para que a malandragem, a preguiça, a lei do menor esforço, a indolência, a falsidade, o egocentrismo, a insensibilidade, o mórbido, o reles e outros comportamentos assemelhados se apresentem com tanta ênfase para estimular ainda mais a ignorância e a futilidade!

Publicado em janeiro/2008

Voar, voar, subir, subir

Como damos trabalho aos médicos depois que passamos dos 40 (idade do lobo… de um buldogue enfastiado seria mais adequado). No meu caso, quase a receber a chancela cinco ponto zero, dizem que tenho a pressão sanguínea e outros indicadores nos trinques, coisa e tal, não obstante o crescimento exagerado para os lados, um piripaque aqui, outro acolá. Mas está claro que é um exagero de boa vontade dos médicos porque pelo menos minha temperatura média não deve estar legal, eis que ando tendo a impressão de estar com a cabeça num forno e os pés num freezer, mormente no outono/inverno.

Abstrações e lapsos de memória, que já me acompanhavam timidamente na primeira-idade resolveram que já é tempo de galgarem posições de comando agora na segunda, chega de acanhamento. Alguns de vocês já devem ter acendido um cigarro pelo filtro, ou pelo menos presenciado alguém fazê-lo. Mas dois num único dia eu duvido. Ligar para alguém trocando os números, já aconteceu? Três vezes consecutivas foi o meu recorde. A mente ordenava que eu teclasse, vamos dizer, 1460 e os dedos respondiam 1406. Na terceira vez o interlocutor, muito compreensivo e gentil sugeriu que eu deixasse um lembrete perto do telefone com a observação “não inverter os números”. Algum tempo depois eu lia e me perguntava: “que números?”

Já ocorreu a algum de vocês estacionar o carro e esquecer onde? Comigo sempre acontece. Prefiro estacionar na Praça Gov. Portela, mas dia desses deixei-o em frente ao Varejão I. Quase fui à delegacia prestar queixa de furto, com o coração na mão, convicto de o ter perdido. Pensava até em como dar a notícia para a financeira, ao mesmo tempo em que bolava um título para a matéria que faria em seguida, algo como “Senhores larápios, cuidado com o superaquecimento”, até que lembrei da minha displicência e comecei a procurá-lo melhor, tomando como ponto de partida para a garimpagem às cegas o Shopping Point 200.

A vantagem dos avoados são as viagens que fazem por mares pouco dantes navegados sem a necessidade de queimar um bagulho. Eu viajo muito. Foi o caso por exemplo que talvez estivesse certa feita virtualmente no Glacial Antártico, ao mesmo tempo em que fazia uma fezinha na lotérica de Bom Jesus do Norte. Ao sair da loja, pairando em convivência com as gaivotas, fui em direção ao “meu” carro no outro lado da rua onde, juro, o havia deixado em frente ao açougue. Estranhamente a chave não entrava na fechadura de nenhum jeito, compreensível porque o automóvel não era o meu. Nem sequer da mesma cor ou marca! Atarraxando na cara um desvanecido sorriso amarelo encarei dois olhos que me fulminavam de cima de um tamborete do lado de fora do balcão do açougue, creio que pertencentes ao verdadeiro proprietário daquele carro incidental. Ao divisar o meu de verdade quase na praça Astolpho Lobo, em frente ao Pague-Fácil do Tadeu, pronunciei o velho clichê “acho que estou ficando biruta” e instintivamente, num gesto teatral para amenizar o desconcerto entrei no estabelecimento que, além de carne, comercializava alguns artigos de mercearia.

Pedi uma Dipirona, que nestes tempos ´globálicos´ e nigérrimos se encontra em qualquer botequim. Pretextava entabular um papo sobre distração. Mas o homem do tamborete, agora com certeza o dono do carro e do açougue transformou os olhos inquisidores em dois arco-íris de infinda ternura. Como um pai atencioso que explica o resultado de dois mais dois ao filho pré-escolar, muito possivelmente censurando mentalmente quem teria deixado a porta da clínica de repouso aberta, disparou a sentença que atestava minha insanidade:

— Aqui é um açougue. Vendemos carnes. Remédios o Sr. encontra na farmácia — disse pausadamente, em tom didático, paternal.

Estava claro que o açougueiro havia momentaneamente esquecido de também ter sucumbido à chamada diversificação das atividades, mas achei melhor não retorquir mostrando-lhe a pequena prateleira atulhada de outras mercadorias, embora sem Dipirona. Era possível que nesse momento eu estivesse incursionando pelas dependências de algum mercado do Casaquistão.

Qualquer dia lhes trago novidades da Lua.

Publicado em outubro/2003

Detran e Malba Tahan; ou, órgão considera o cidadão apto a pilotar, mas não lhe permite fazê-lo

Júlio César de Mello e Souza, o Malba Tahan

Três amigos vão a um bar tomar umas e outras. Total da despesa: R$ 25. Na “vaquinha”, cada um dá R$ 10, totalizando R$ 30. O garçom traz o troco de R$ 5, em 5 moedas de R$ 1. Cada um dos amigos pega para si uma das moedas. As duas que sobraram eles as dão de gorjeta para o garçom. Ou seja: se cada um deu R$ 10 e pegou R$ 1 de troco, cada qual pagou R$ 9 pela despesa. E 9 vezes 3 dá 27. Mais os R$ 2 que ficaram com o garçom = R$ 29. Mas eles não deram R$ 30? Que diabo de conta maluca é essa? Onde foi parar o R$ 1 que falta?

“O homem que calculava”, personagem do delicioso livro de Malba Tahan (pseudônimo do professor carioca Júlio César de Mello e Souza – 1895/1974) resolveu o impasse dizendo que aquele não era o modo correto de calcular. (Aliás, permitam-me uma sugestão: ainda que detestem livros, não passem desta para a melhor sem lerem pelo menos este, um clássico da literatura. Leiam, recomendem, induzam seus filhos, seus amigos a também se deleitarem com a filosofia de Tahan, com os valores morais e éticos, o respeito e a caridade, a humildade e a gentileza que permeiam o livro, uma fonte inesgotável de inspiração para fazermos nossa vida melhor e mais prazerosa. De quebra, o velho estigma de que a Matemática é complicada vai para o brejo. Aprendemos o quanto essa ciência é simples).

Volto: sobretudo a simplicidade, que Tahan destaca como uma das mais importantes virtudes do homem, é o que parece nos faltar. Em nossa era maluca, mais vale complicar que simplificar, encontrarmos problemas onde não existem. Se é assim com um indivíduo, imaginem com uma instituição. Imaginem ainda mais: uma instituição pública onde trabalham milhares de indivíduos. Caso por exemplo do Detran/RJ. A história a seguir faria Malba Tahan revirar no túmulo:

Um cidadão bom-jesuense, que já possui sua Carteira Nacional de Habilitação, categoria B, licenciado a conduzir automóveis, resolveu adicionar a categoria A, que lhe daria o direito de pilotar motocicletas também. Fez tudo o que tinha de ser feito em 2005, exceto a prova prática, que resolveu fazer em junho último. Passou. Os examinadores lhe puseram no papel a chancela almejada: APROVADO. Vale ressaltar que essa pessoa encontra-se com sua situação junto ao Detran/RJ imaculada; não tem multas, não tem pontos perdidos na CNH, está com todas as taxas e exames em dia, inclusive de saúde, etc. Mesmo porque, se não estivesse, ficaria impossibilitado de realizar o exame prático.

Mas o mesmo Detran/RJ que lhe outorgou o direito de pilotar também uma motocicleta, ao mesmo tempo lhe cerceia este direito. Não entregou até hoje sua CNH com a categoria A adicionada (normalmente a carteira vem em até cinco dias após o exame). O motivo? Algo digno de um quadro de Salvador Dali, mestre do surrealismo. É que o Detran/RJ mudou a maneira de emissão. Antes a pessoa levava a foto 3/4; hoje, o próprio órgão é quem a fotografa (denominaram “processo digital”). E em Campos dos Goytacazes, onde são emitidas as CNH´s, não se sabe como fazer para emitir uma com a foto 3/4, que integra o processo (antigo) de 2005.

— Mas eu passei. É só a senhora tirar uma foto na maquininha do sistema atual — apelou o rapaz que foi aprovado pelo Detran/RJ, mas que não se arrisca a sair por aí de capacete na cabeça a não ser a pé (em sinal de protesto) ou de carona.

— Não pode, decretou a funcionária.

— Mas se eu passei e estou com tudo em dia…

— Para eu poder tirar uma foto do Sr. — interrompeu a funcionária — é preciso que se apague todo o processo, o Sr. vai precisar fazer tudo, tudinho de novo, inclusive pagar as taxas.

E o rapaz disca 0800 daqui, manda e-mail para a Ouvidoria dali, e nada. A última informação é a de que foi aberto um “processo eletrônico” no dia 20/7.

— O Sr. pode acompanhar o andamento pela Internet depois que nos retornarem o número desse processo.

— Demora?, perguntou o infeliz descarteirado.

— Cerca de 15 dias para eles (Detran da capital) nos informarem SE ACEITAM o processo e qual o número — respondeu a diligente senhora.

E saiu dali o desventurado pensando em como arranjar dinheiro para uma viagem a Roma, na esperança de conseguir uma audiência com Sua Santidade, o papa.

Ah! – O homem que calculava resolveu com uma simplicidade impressionante o problema. — Na verdade, disse ele — não é assim que a conta deve ser feita, mas da seguinte forma: R$ 25 ficaram no bar, R$ 3 ficaram com os amigos e R$ 2 com o garçom. E completou: — Não pode existir em conta tão simples a menor atrapalhação.

Ah! 2 – Malba Tahan fala em Dinar, moeda do Iraque onde ele ambientou a história, e em hospedaria. Eu troquei por Reais e bar, para facilitar o leitor.

E o Detran poderia trocar burocracia por simplicidade, para facilitar a vida do cidadão. Leiam Malba Tahan, senhores do Detran. Ao menos pela rima!

Publicado em agosto/2009

Brasiliana Envergonhada da Pátria

Carta que uma mãe enviou a seu filho no exterior:

QUERIDO FILHO

Escrevo esta carta a fim de colocá-lo a par das novidades. O Brasil vai bem, alguns políticos, os mesmos, continuam em sua velha rotina de roubos e furtos. Parece que será criada a “Escandolbras”, atendendo a uma antiga sugestão do saudoso Henfil. Esta nova estatal terá a incumbência de centralizar todos os escândalos federais, estaduais e municipais, além de treinar agentes com a incumbência de neutralizar os grampos telefônicos, os cinegrafistas amadores e os gravadores cassete.

Mudando de assunto, filho, você sabia que sua irmã foi abandonada no altar? Ih, ela sofreu muito, mas graças a Deus existe por aqui um tal de Walter Mercado. Trata-se de um místico muito simpático e que não tem cara de 171. Depois que sua irmã telefonou umas 100 vezes para os videntes do Walter ela ficou em paz e muito animada com o seu futuro amoroso, pois a previsão é que ela talvez se case com o Tom Cruise ou o Maurício Mattar. Ela está até pensando em trocar sua perna mecânica e o olho de vidro por similares importados. O seu pai é que não gostou quando viu a conta do telefone — os místicos são pagos por minuto. Ele achou que a conta de R$ 800 foi exagerada, mas eu expliquei a ele que não era devido aos telefonemas da sua irmã, mas, sim, das várias ligações que ele próprio faz diariamente para os tele-sorte e tele-sexo.

Por falar em seu pai, acho que pirou de vez. Colocou na cabeça e quer por que quer comprar um deputado. Tentei demovê-lo dessa ideia, aleguei que um deputado é muito caro, talvez um vereador saísse mais em conta. Mas você conhece seu pai. É um velho teimoso, e quando quer uma coisa é inútil tentar convencê-lo. Depois que ele viu no programa do “Seu Casseta” uma promoção de deputados, seguiu imediatamente a Brasília para ver se consegue o seu. Veja, meu filho, como eu fico preocupada. E se ele comprar um deputado falsificado? Fico horrorizada ao pensar que poderemos ter um do Paraguai. O pior é que pode vir honesto. E de que nos serviria um deputado do Paraguai e ainda por cima honesto?

Vou terminar porque já está na hora do Jornal Nacional e não posso perder o escândalo de hoje. O de ontem eu não gostei muito porque foi criado por aquele barbudinho simpático no qual eu votei para presidente.

A bênção de sua mãe,

Brasiliana Envergonhada da Pátria.

Publicado em junho/1997

Vim morar em Bom Jesus fugindo das ´cabadas´ de vassoura

Sequência extraída do acervo pessoal (filmagem em VHS): Mônica pula e Luciano leva a mão ao rosto, preocupado. Em seguida mostra a ela o perigo de novas cabadas de vassoura. A expressão da pequena fala por si

 

É comum pessoas desistirem de viver em cidades grandes em troca da tranquilidade dos lugares interioranos. Sou um dos que renunciaram à possibilidade de trabalho mais compensador financeiramente por uma vida contemplativa, menos estressante, que só cidades pequenas possibilitavam. Digo possibilitavam porque isso está se tornando relativo, ao menos em relação às Bom Jesus que, diferentemente de lugares onde há um mínimo de planejamento, por aqui o crescimento é desordenado, um tanto bagunçado, e a vida já não é sossegada. Sem a compensação de boa estrutura de ofertas de produtos e serviços, de uma gama maior e mais variada de oportunidades, ficamos só com o tráfego que começa a congestionar, com a falta de vagas de estacionamento, com a tensão do aglomerado de veículos e de gente,  com o ajuntamento a cada dia mais estreito das moradias e o inevitável conflito dos comportamentos humanos (alguns tão incompatíveis entre si como cebola em salada de frutas), com a carência de serviços básicos como Saúde e Segurança.

Um fato que ajudou a amadurecer a ideia de abandonarmos tudo e virmos para o interior se deu em dezembro de 1986. Comemorávamos o aniversário de quatro anos da nossa filha Mônica, no apartamento em que morávamos no Rio Comprido, Rio de Janeiro. Na euforia do momento, Mônica ensaiou um sapateado no sinteco da sala, o que despertou uma reação quase desvairada do mais velho, Luciano, então com sete anos (o outro, Júnior, tinha na época cinco), que a advertiu rudemente em seu engraçado linguajar infantil, arrancando gargalhadas dos presentes:

— Não pode pular porque o Péricles vai bater com a vassoura…

Então uma Moniquinha atemorizada, olhos arregalados para o irmão, se conteve, reprimiu a vontade de manifestar sua alegria. Péricles era o vizinho do apartamento de baixo, que vivia injuriado com o barulho que três crianças faziam ao andar, correr, brincar…, viver, enfim. O homem, de maus bofes, não se conformava com o mínimo rumor dos petizes. Qualquer ruído ele dava uma “cabada” de vassoura no próprio teto para reverberar sua indignação em nosso piso. E aquela reação do Luciano, seu semblante infantil num ricto de temor foi mais um componente para que decidíssemos radicalizar, dar uma guinada vertiginosa.

A neurastenia que já contaminava uma criança de sete anos era o reflexo do mau negócio que a humanidade fez em nome do progresso, era decorrente da vida em uma cidade grande com toda a sorte de impedimentos e limitações que acarretava. Tamanha preocupação num guri em tenra idade era… preocupante! Por assim dizer, era mais espantosa que a puerilidade sistêmica em um velho.

Chego aqui ao ponto: a troca revelou-se satisfatória, sobretudo em relação às crianças, que viveram em Bom Jesus uma infância mais amena, menos perigosa, justificando a renúncia que nos impusemos. Mas hoje certamente não faríamos igual, a relação custo/benefício seria injustificada. Nosso lugar tornou-se também inseguro, o relacionamento entre as pessoas se deteriorou, os espaços públicos estão uma desordem, o poder não encontra líderes que planejem suas cidades um palmo à frente dos narizes, quase tudo é feito de forma amadorística, a improvisação e o imediatismo imperam. Aqui não há regras para a construção de imóveis (parece que poucos sabem a largura que deve ter uma calçada, por exemplo), as cias. de abastecimento d´água e de saneamento esburacam as ruas, seus funcionários cavam às cegas sem terem sequer um mapa das tubulações, deixando as vias em petição de miséria.

Trafegar a pé ou em veículos por nossas ruas que, permitam-me, estão se tornando ridículas, é a cada dia mais tormentoso e perigoso. Nossos representantes políticos parecem destituídos de idealismo, de capacidade, de vontade. Estão, como de resto boa parcela de seus congêneres, contaminados pela doença d´alma de nome dissimulação, viciados em muito prometer e pouco cumprir, aprisionados nos grilhões da indolência ou incúria que lhes deixam como herança maldita a pouca disposição real para muita vontade fictícia. Se suas excelências rompessem a inércia administrativa que nos atormenta, as Bom Jesus continuariam a ser bons lugares para se viver, bons refúgios para os péricles da vida que não tiveram infância nem contribuíram para a perpetuação da espécie.

Publicado em novembro/2010