Aqui eu guardo meus escritos.

Obrigado pela visita.

Em terra de olho quem tem um cego… errei!

Estava dando murros em ponta de faca a fim de bolar algo de útil para ocupar este espaço, mas como de tanto pensar morreu um burro, e as ideias não apareciam resolvi tocar o barco com estas baboseiras mesmo porque preciso defender o leite das crianças e a maré não tá pra peixe. Aliás, como está difícil a vida, não? Atualmente tenho latido no quintal pra economizar cachorrovendendo o almoço pra comprar a jantachamado urubu de meu louro, como também vou arrancando minhoca do asfalto porque a necessidade é que fez o sapo pular e nesta situação é que a porca torce o rabo se não for cotó, haja vista que amanhã é um novo dia e angu de um dia só não engorda cachorro magro.

A quem interessar, informo que a minha situação está assim trágica porque enfiei os pés pelas mãos e vento e ventura pouco dura. Além do mais não fui com muita sede ao pote, julguei ser verdade que quem foi rei nunca perde a majestade e esqueci de que quem semeia vento colhe tempestade. Enfim, foram-se os anéis, ficaram os dedos. Mas como a fé move montanhas e uma mão lava a outra, apelei para os amigos e parentes quando já estava vendo minha avó pela greta, mas de nada adiantou porque eles foram insensíveis e preferiram colocar a barba de molho, uma vez que farinha pouca meu pirão primeiro e seguro morreu de velho. Ainda por cima acharam que eu estava fazendo tempestade em copo d’água e eles não iriam dar luz a cego nem asas a cobra. Aliás, eu já sabia que nada ia conseguir, pois santo de casa não faz milagre e é cada um por si e Deus por todos.

Mas como miséria pouca é bobagem e o que é de gosto é regalo da vida, além de que quanto mais rezo mais assombração me aparece, resolvi juntar meus trapos com uma mulher nova, cheirando a tinta porque, afinal, graveto também dá fogo e juntado com fé casado é. O fato é que sempre acreditei que mulher é igual bala de revólver: quando sai uma pelo cano já tem outra engatilhada e aí é que embarquei numa canoa furada e com muitas dificuldades de cortar o mal pela raiz. Explico: como mentira tem pernas curtas e as paredes têm ouvidos, descobri onde amarrei minha égua, pois minha mulher se esqueceu de que quem com porcos se mistura farelo come e as más companhias a levaram a procurar chifres na cabeça de cavalo. O pior é que ela os encontrou e os transplantou em mim! Bem que eu já andava meio desconfiado porque onde há fumaça há fogo, mas achei que quem conta um conto aumenta um ponto e entrei pelo cano.

Mas, tem nada não, o bom cabrito não berra e há males que vêm para bem. Vou tirar isso de letra porque sempre há um chinelo velho para um pé torto e não sou bobo como tatu de madrugada. Acabarei encontrando outra alma gêmea, mesmo que não tenha o mesmo encanto pois à noite todos os gatos são pardos. Só que agora não vou dar ponto sem nó porque gato escaldado tem medo de água fria e barata esperta não atravessa galinheiro. Doravante, aonde a vaca vai o boi vai atrás, uma vez que macaco velho não mete a mão em cumbuca. Não vou mais comprar gato por lebre, afinal, é preferível ser burro cinco minutos que asno a vida inteira.

Pois bem, vou continuando a encher linguiça, e enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé. A fim de resolver minha vida não vou ficar chovendo no molhado nem carregando água na peneiraÉ vivendo que se aprende e como devagar se vai ao longe e a pressa é inimiga da perfeição, pretendo seguir à risca o velho ditado: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Não me esquecerei que coração dos outros é terra que ninguém vai fraqueza não é vício, mas conduz ao precipício. É certo que cobra que não anda não engole sapo e caminhão parado não pega frete.

Bem, leitor, se você teve paciência de ficar lendo esta porcaria até agora, saiba que galinha que acompanha pato morre afogada e como você não é mais burro que porteiraficou a ver navios. Aliás, acho melhor parar de cutucar onça com vara curta porque quem fala muito dá bom dia a cavaloO peixe morre é pela boca e é melhor trabalhar a cabeça e dar férias à língua. Se você pretende me criticar por isso, pode tirar seu cavalinho da chuva porque gosto não se discute e há quem goste dos olhos, outros da remela. A verdade é que estou sem assunto e quem não se comunica se trumbica. Sou sincero porque quem fala a verdade não merece castigo, mas reconheço que esta crônica ficou tão ruim que nem tatu aguenta.

Enfim, cesse tudo o que a antiga musa canta que outro valor mais alto se alevanta e procure me compreender, pois para bom entendedor, meia palavra basta. Por favor, não confunda bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha. Sua atenção eu agradeço, pois você fez o bem sem olhar a quem, e mesmo que não o fizesse, mais vale quem Deus ajuda que quem cedo madruga. Além disso nunca diga dessa água não beberei porque um dia a casa cai. Dou por encerrada esta bobagem e se alguém não gostou que atire a primeira pedra. Minha missão está cumprida, pois os fins justificam os meios e melhor não poderia ficar porque quem nasce pra lagartixa nunca chega a jacaré e quem não tem cachorro caça com gato.

Até a próxima, se não entrar boi na linha.

Publicado em março/1997

Passaporte da felicidade

Cheguei dia desses no guichê da Transportadora União, em Bom Jesus do Norte. Mirava com olhos maliciosos os reles mortais pagadores de bilhetes à frente, na fila, até que chegou a minha vez. Estufei o peito e julguei mandar bem, como se diz:

— Uma passagem para o Rio de Janeiro, inteiramente grátis, por gentileza. Se as duas poltronas reservadas aos velhos já estiverem esgotadas, meia passagem já estará de bom tamanho.

A moça do guichê:

— Pro senhor? Idoso?

Dei uma relanceada de olhar em mim, principalmente nas pelancas embaixo dos braços e nas rugas da cara refletida no vidro do guichê, pensando respondê-la dessa forma: “sim, pra mim mesmo, modelo 6.4, zero opcionais, isento de IPVA, roncando em todas as juntas, fora o resto.” Mas falei de fato:

— Sim, tenho 64 anos.

— Trouxe a carteira?

— Aqui está.

— De habilitação não serve. Do Idoso.

— Como?

— Carteira do Idoso.

— Não sabia que tinha isso.

— Procure a Assistência Social, meu senhor; sem ela, nada feito.

Avaliei momentaneamente contra-argumentar, encarecer à atendente dar uma olhada mais minuciosa na minha carcaça e aferir com um simples cálculo matemático a data de fabricação expressa na carteira de motorista, mas acabei desistindo. Seria inútil, ela havia sido incisiva.

— Aceita cartão de crédito?

— Sim, senhor.

“Dos males, o menor”, resignei-me, pensando neste país das jabuticabas que, segundo voz corrente, é o único que produz as deliciosas frutinhas, sendo essa exclusividade motivo de pilhérias dos próprios brasileiros que se referem pejorativamente a elas para indicar mazelas tupiniquins. “Deve ser mais uma jabuticaba esse negócio de carteirinha de velho”, pensei. “O país tem que dar emprego e os políticos dependem disso para ganhar votos; quanto mais burocratiza, mais cabides de emprego, e mais votos. A tal da carteirinha”, continuei a elucubrar, “seria para confirmar a  confirmação dos meus dados pessoais, algo absurdamente redundante.

Dos meus parcos leitores, pelo menos dois são jovens, conheço-os bem, e estes podem até ter conhecimento de que no Brasil houve uma jabuticaba nos anos 1980 denominada Ministério da Desburocratização, mas obviamente não a vivenciaram. Lembro-me perfeitamente do titular da pasta, ministro Hélio Beltrão, que lutava como um Napoleão desarmado e sem exército contra a burocracia e os cartórios (cartórios mesmo, de reconhecer firma, autenticar fotocópias, etc., e cartórios corporativos os mais diversos de que pode supor nossa vã filosofia). Desde aquela época, vejam só, Beltrão tentava acabar com o tal do reconhecimento de firmas, que nada mais é do que prejulgar o cidadão como desonesto na cara dura e ainda auferir lucros exorbitantes com a ofensa. E só recentemente, quase 40 anos depois, essa jabuticaba foi pocada (Lei 13.726/2018, de outubro). O lobby inescrupuloso dos cartórios resistiu a tudo e a todos nesse tempão.

O então ministro, sufocado pela papelada e pelo papelão dos burocratas (reproduzem-se como coelhos) ainda tinha espírito para fazer troça. A respeito da criação de uma tal de Sudeco, para cuidar do “desenvolvimento do Centro-Oeste”, ele perguntou: “por que não juntam a Suvale (Superintendência do Vale do São Francisco) com a Sudeco e criam a Suvaco? Seu assessor foi ainda mais espirituoso: “O perigo, senhor ministro, é eles criarem a Superintendência Rural do Baixo Amazonas, a Suruba!”

Retomo o fio: dias depois da viagem procurei a Ação Social da prefeitura de São José do Calçado para obter o passaporte que me abriria as portas da felicidade.

— É lá no Cras, informaram. “Cras…, Cras… Não podia ser aqui mesmo?”, contive a vontade de perguntar. Chegando no Cras fui atendido com atenção e gentileza, cumpre ressaltar:

— Pois não?

— Vim fazer a Carteira do Idoso.

— Trouxe os documentos? O senhor já é cadastrado no NIS?

— Claro, claro. Mas tem um probleminha: aqui está minha habilitação, mas o NIS vou ter de consultar o INSS.

— Não, senhor, interrompeu-me a diligente funcionária, sem se dar conta de minha instantânea, embora costumeira, frustração. — Não pode ser habilitação, tem que ser Identidade mesmo, CPF, Título de Eleitor, Certidão de Nascimento ou de Casamento, comprovante de residência, de renda… E tem mais: não é esse NIS do INSS, é outro NIS.

— Outro NIS?

— Sim.

Pensei: “NIS deve ser a sigla de ´Nefelibatas Impolutos Sadomasoquistas´ que abundam os labirintos da burrocracia brasileira.

— Esse NIS aí acho que não tenho. Tem certeza que o outro NIS não serve?

— Tenho. Mas não tem problema, posso providenciar um agora mesmo. E os demais documentos?

— Na minha habilitação tem número de identidade, CPF…

— …Mas não tem as datas das emissões, por isso é que precisamos deles.

E cá voltei para vasculhar meu velho arquivo de pastas numa era em que já se projetam moradias para os terráqueos na Lua. Retornei ao Cras com minha primeira e única carteira de identidade emitida no ano da Graça de 1974, que guardava como souvenir, embora já há alguns anos, melhor dizendo, há muitos anos evito olhá-la para não reacender minha vergonha daquele cabelo emaranhado à moda descolada hippie, comprido até nos ombros, a cara chupada a lembrar pessoas acometidas de escorbuto.

— Minha filha, eu recebo as contas de água e luz por e-mail e as pago pelo aplicativo do banco. Portanto, não lido com esses papéis. Serve o carnê da provedora de Internet? Ah, e esse comprovante aqui de que votei no Capitão, serve para substituir o título de eleitor?

Serviram, ufa! Alguns instantes depois da moça meter bronca no computador:

— Prontinho, senhor. Seu NIS o senhor pode pegar amanhã (estávamos numa quinta-feira), mas a Assistente Social só atende às segundas e terças, então eu sugiro que o senhor venha num desses dias.

— Ok, querida. Obrigado pela atenção.

Segunda-feira fui, serelepe, obter meu prêmio velharal. Mais atenção e gentileza, desta vez pela Assistente Social Roberta. Com o NIS em mãos, balancei-o alegremente:

— Minha carteira de velho, enfim, não é Roberta?

— Hummm. Não. O sistema vem apresentando problemas e tem demorado até 45 dias. Já está aqui na tela, olha, virou o monitor em minha direção. Mas para o senhor tê-la na mão…

― …Quarenta e cinco dias, não é?

Moral da história: eis um pequeno exemplo de burocracia desnecessária, praga a oprimir o desenvolvimento do nosso país. Um documento único que reunisse todas as informações necessárias do “eu” de cada um, inclusive as necessárias para a concessão desse e de outros benefícios e obrigações penso que aliviaria em muitos milhões, talvez bilhões, os cofres públicos. Para se ter uma ideia dessa trágica circunstância, o Banco Mundial, em 2017, publicou um ranking entre os países para medir, por exemplo, o tempo necessário para abrir um negócio. Num conjunto de 167 países, o Brasil ocupa a posição 161. A pesquisa estima que, por aqui, são necessários em média 79 dias para cumprir os procedimentos legais de abrir uma empresa. Na Nova Zelândia, a primeira colocada nesse quesito, leva-se menos de 1 dia para a mesma finalidade.

Dá-lhe, capita. Não vale desanimar, hein?

Publicado em dezembro/2018

Aumentou o número de vereadores. Celebrem, cantem, vibrem porque, agora, vai!

O aumento do número de vereadores estabelecido pela Emenda Constitucional 58/2009 elevou para 56.810 a quantidade deles em todo o país a partir deste ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2013. Até 2012 os vereadores brasileiros totalizavam 51.740, um acréscimo de cerca de 10%. Naturalmente que a situação dos municípios brasileiros vai melhorar, e muuuiito. Em sua cidade, leitor, já deve ter percebido melhorias, não? Agora vai, digam em uníssono.

Tal como grito de guerra “a ha, u hu, o maraca é nosso!” (nem rimou…) devíamos nos encher de brios cívicos por tão benevolente gesto em benefício de nosso bem-estar e progresso, reunirmo-nos em multidões berrando pelas ruas: A HA, U HU, VÃO TOMÁ NO… CONTA DE NÓS (cuidado para não se empolgar e deixar rimar — ops, até rimou o adendo). Se você conhece meu velho amigo Bonjesino, imaginem o olhar de candura naquele carão e o parecer eivado de otimismo: — Chefia, se antes nossas cidades pareciam um paraíso, agora não parecem mais: são.

Maldade do chargista Bruno desenhar suas excelências em cima dos contribuintes. Maldade maior julgar que escolher nomes de ruas, emitir votos de louvor, dar condecorações, títulos, diplomas não seja trabalho duro, árduo. Se o Bruno fizer uma charge retratando pejorativamente a reunião de nossos nobres representantes uma ou, no máximo, duas vezes por semana, durante duas horas cada sessão, com direito a dois meses de férias anuais, juro que boicoto artista tão arcaico e infenso à modernidade das relações de trabalho.

Publicado em maio/2013

Em Brasília, pizzas de todos os sabores, para todos os gostos

Uma rede de pizzarias no Reino Unido afirma testar a entrega de pizzas usando drones no país, de acordo com reportagem do site Mashable. Os robôs controlados à distância conseguiram entregar a pizza aos clientes normalmente, segundo comunicado da pizzaria. Foi o bastante para o desenhista Lute fazer a charge com muito senso de oportunismo.

Nossos ouvidos já estão familiarizados com a frase “a CPI vai dar em pizza”. CPI da Corrupção, do PC Farias, dos Anões do Orçamento, dos Precatórios, do Judiciário, do Narcotráfico, do Banestado, dos Correios, da Petrobrás, do Cachoeira…, e tantas outras. Aliás, minto: uma CPI que não acabou em pizza foi a da Pedofilia. Uma das poucas que realmente trouxeram coisas úteis para a sociedade. Mas pensando bem, talvez porque, se não me falha a memória, é que não houve nenhum político envolvido (pelo menos nenhum do bando das raposas felpudas), daí o sucesso retumbante. Ou será que meu raciocínio está errado?

Uma coisa que devemos lembrar é que as CPIs não têm poder de processar ou punir ninguém, apenas adianta o lado da Justiça. Portanto, pizzaiolos não são prerrogativa apenas do Poder Legislativo. Dizem que esse negócio de associar resultado nenhum de CPI e pizza começou no futebol, década de 1960, quando a Sociedade Esportiva Palmeiras vivia uma grave crise. Daí que os dirigentes, depois de discutirem um dia inteiro, se reuniram numa pizzaria para continuarem a troca de ideias. Chope vai, chope vem, pizza vai, pizza vem, selaram a paz ali mesmo; a crise sumiu. Então, um jornalista esportivo não titubeou em estampar como título de sua matéria no dia seguinte: “Crise do Palmeiras acaba em pizza!”

Publicado em junho/2013

O gigante acordou e assusta a politicada. Que mande tentáculos para Bom Jesus e região

No início das manifestações em São Paulo fiz um texto condenando as depredações, a baderna, além de questionar os princípios de tão grande número de pessoas resolver brigar por causa do aumento de vinte centavos de Real no preço das passagens dos ônibus, enquanto políticos roubam bilhões e quase ninguém diz nada. Surpreendi-me muito positivamente depois com a continuidade da manifestação, que demonstrando fôlego para continuar mostrou que não se restringia a meia dúzia de bandoleiros (sempre há em qualquer movimento) e que os R$ 0,20 foram a gota d´água a romper o dique da gigantesca onda de indignação e revolta pelas circunstâncias de um país à deriva, cercado de vagas monstruosas de corrupção, incompetência, descaso, hipocrisia, megalomania, coisa e tal. Melhor: espraiou-se para os quatro cantos do país.

Censurei os valentes com coquetéis Molotov, pedras e bombas caseiras nas mãos, porque se violência e quebra-quebra resolvessem alguma coisa, a Terra seria o paraíso para os mais fortes fisicamente. Mas o que emergiu daquele casulo, inicialmente a meu ver purulento de bagunça pela bagunça, foi algo precioso, algo que parecia morto e sepultado, e que se mostra agora mais vivo do que supunha a vã filosofia da matreira política. Qual Fênix a ressurgir das cinzas, a indignação mostrou sua face jovial e bela, o descontentamento apresenta-se hígido, com brios de um Sansão de compridas madeixas, o conformismo se nutre de kriptonita e se transfigura em seu antônimo, sólido como aço. Demorou, mas veio, ardente como o vento do Saara a reação que, sem bandeiras políticas claramente definidas, aplica um duro golpe em todas elas. Aplica sobretudo às que se revezam há 10 anos, sejam tremulando no espectro de terra arrasada como protagonistas, ou coadjuvantes (na realidade todas, porque a rigor não há oposição com O maiúsculo).

Ficam com as caras abestalhadas até mesmo os papas da comunicação, os marqueteiros das agremiações partidárias nutridos a ouro em pó, incompetentes e incapazes, todavia, de preverem que o pessoal do mundo virtual estava prestes a tirar o traseiro da cadeira e os olhos nos facebooks e se materializar no mundo real. Está sendo um pandemônio! Políticos de variados matizes olham-se aparvalhados, perplexos, como passageiros de um Titanic de dimensões planetárias que acaba de colidir com um rochedo de gelo. Nestes momentos cai a empáfia — que os eleva ao altar da imortalidade — e se instala o pânico, a certeza nua e crua da fatal mortalidade.

Ainda que mais nada aconteça, uma transformação se fez no país. Nada mais será como antes, o espectro das redes sociais rondará como zumbi as cabeceiras do entourage político e despedaçará cada fibra da sensação de impunidade e pequenez de princípios éticos. Pensei que morreria sem desfrutar tal satisfação, que será ainda maior se puder presenciar algo semelhante em nossa microrregião, que vem merecendo, há décadas e décadas, um sonoro e retumbante BASTA!

Publicado em junho/2013