Aqui eu guardo meus escritos.

Obrigado pela visita.

Juventude tecnológica

Alguém pediu a mim um texto sobre a juventude/
da tecnológica geração de zaps e de faces;/
então eu escrevi: intriga-me à vera a quietude,/
e só envolvimento em likes, copy, enfeites./

O like é bom, a copy é boa. Mas platitude…/
Muitos enter, poucos del em vãos deleites./
E control C e control V na plenitude/
destrói neurônios e sinapses em vis falsetes./

Voluntarismo exuberante próprio da idade/
nas hipnóticas telinhas dissipa-se na irrealidade/
e na maneira equivocada de buscar o que mereçam./

Tanta carência de ideias e de espontaneidade,/
instigam os meus repentes de sinceridade/
ao rodrigueano conselho: “jovens, envelheçam!”/

Publicado em fevereiro/2017.

Desesperança

Nas quadras torpes em que transitam brasileiros/
em sua faina à sobrevida ao dissabor,/
se ouvem urros de loucura e de torpor,/
e tombam inertes sob ação dos bandoleiros./

É o que dá por se tornarem hospedeiros/
dos vermes pútridos no afã dominador,/
que transmudados em políticos e seu tutor,/
os enganaram como enganam os trambiqueiros./

Não me parece haver nenhuma esperança,/
e todo o mal lhes afigura como herança/
já que legaram a marginais poder eterno.

E que´ste canto a me ligar destemperança/
lhes seja útil a recordar em que aliança,/
qual Dante insano desenharam o próprio inferno!/

Publicado em fevereiro/2017

Desprezo

Queria te dizer, só sei assim,/
Em versos pontuados de lamentos,/
Ser tu e só, a causa dos tormentos,/
Que me fazem sofrer tanto, ai de mim!/

Sabias, impiedosa, que o orgulho,/
Ponteado com fagulhas de desprezo,/
Fazem em ti o torpe, imperdoável vezo,/
Que transforma teu coração em pedregulho?/

Acordes, desças do etéreo pedestal,/
Fortaleças o espírito recusando-te a ser fatal,/
E não permitas, de minh’alma, a partida./

Nem ignores aferir, cruel amada,/
Minha paixão que não te custas nada,/
Tua atenção que se me vale a vida./

Data incerta de produção

Achar-te-ei

Tu, que povoas meus pensamentos noite e dia/
Não tens forma, nem silhueta, mas em verdade,/
Existe. E eu te encontrarei, por lealdade,/
A uma alma que vai deixar de ser sombria!/

E quando essa hora chegar, ainda que tardia,/
Dos céus há de descer, por ordem da potestade,/
Os augúrios a uma vida intensa, com dignidade,/
Isso eu sempre disse a todos, isso eu sempre me dizia./

E o meu caso, então, terá outro matiz,/
Diferente do bom poeta que escreveu, disseram,/
Os versos tristes pelos quais nos diz:/

“Triste de quem como eu vê que, infeliz,/
teve todas aquelas que o quiseram,/
mas nunca teve aquela que ele quis!”/

Data incerta de produção 

Meu caçulinha

Acorda mais cedo e disfarçando eu manjo,/
À minha cama vem como um tropel,/
Nessa altura da vida, olha o que eu arranjo,/
O sono esbulhado por gente do céu./

A felicidade existe e eu até a esbanjo,/
No filho que é meu tudo, minha fé, meu laurel,/
Tem 2 anos de idade e nome de anjo,/
Meu doce, espevitado, “diabinho” Gabriel./

Imploro a Deus que pela mão o conduza,/
Nas veredas da sorte precursando o ideal,/
Revolvendo os perigos da vida confusa./

E, se não exagero, me conceda o preito,/
Ao soar minha hora na orbe terreal,/
Por ele ter os olhos cerrados no leito./

Produzido em 1999