Aqui eu guardo meus escritos.
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O cartunista Sponholz imaginou que só num campo de futebol podem caber tantos ministros. O desenho remete à insensatez de um governo que gasta R$ 58,4 bilhões por ano (verba prevista no Orçamento Geral da União de 2013) para o custeio da máquina em Brasília (estrutura e salários de funcionários) que tem, nada menos, 39 ministérios! Riam da charge, mas depois, não digo chorar, mas pelo menos cubra o rosto de vergonha. A nação mais desenvolvida do Planeta, onde as coisas funcionam pra valer, notadamente a Justiça, possui 15 ministérios (Estados Unidos); Alemanha, 14; França, 16; Reino Unido, 17. Só para ficar nesses paisinhos mixurucas.
Em compensação, potentados como Congo (40 ministérios), Paquistão (38), Camarões e Gabão (36), e outros mais, estão no nosso nível maravilhoso de progresso e justiça social. Só para ilustrar, o Bolsa Família, maior programa social que, segundo a presidente, acabou com a miséria no país, custará, este ano, R$ 24,9 bilhões. Ou seja, bem menos da metade do que consomem nossos 39 ministérios (Congo, você não perde por esperar). Tantos ministros, todos sabem, estão lá mais para atender às milongas políticas e menos para cuidar de nós, pobres contribuintes com parca saúde, má educação, insegurança, pífia infraestrutura, estradas esburacadas…, ah, que preguiça!
Isso não pode funcionar, é muito ministro batendo cabeça. Antes do PT, o último governo militar — de João Baptista Figueiredo — tinha 16 ministérios. Depois, Tancredo aumentou para 21 e José Sarney manteve. Collor radicalizou: reduziu para 12; aí entrou Itamar e subiu para 22; Fernando Henrique terminou o último ano com 24; Lula subiu para 37 e Dilma, agora, tem 39.
Veja quem são suas excelências:
Relações exteriores – Antônio Patriota
Previdência Social – Garibaldo Alves
Planejamento, Orçamento e Gestão – Miriam Belchior
Minas e Energia – Edison Lobão
Meio Ambiente – Izabella Teixeira
Justiça – José Educardo Cardoso
Integração Nacional – Fernando Bezerra Coelho
Fazenda – Guido Mantega
Esporte – Aldo Rebelo
Educação – Aloísio Mercadante
Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Tereza Campello
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Fernando Pimentel
Desenvolvimento Agrário – Pepe Vargas
Defesa – Celso Amorim
Cultura – Marta Suplicy
Comunicações – Paulo Bernardo
Ciência e Tecnologia – Marco Antônio Raupp
Cidades – Aguinaldo Ribeiro
Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Antônio Andrade
Pesca e Aquicultura – Marcelo Crivella
Advocacia Geral da União – Luis Inácio Lucena Adams
Gabinete da Segurança Institucional – José Elito Carvalho Siqueira
Secretaria Geral da Presidência – Gilberto Carvalho
Secretaria de Comunicação Social – Helena Chagas
Secretaria dos Portos – José Leônidas Cristino
Secretaria Especial dos Direitos Humanos – Maria do Rosário
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Luiza Helena de Barros
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – Eleonora Menicucci de Oliveira
Secretaria de Relações Institucionais – Ideli Salvatti
Secretaria de Aviação Civil – Moreira Franco
Secretaria de Assuntos Estratégicos – Marcelo Neri (Interino)
Controladoria Geral da União – Jorge Hage Sobrinho
Casa Civil – Gleisi Helena Hoffmann
Banco Central – Alexandre Tombini
Turismo – Gastão Dias Vieira
Transportes – César Borges
Microempresa – Guilherme Afif Domingos
Trabalho e Emprego – Manoel Dias
Saúde – Alexandre Padilha
Obs. As secretarias têm status de ministério.
Publicado em maio/2013

Nos traços de Duke, o senador Aécio Neves, recentemente investido da função de presidente nacional do partido oposicionista PSDB, e virtual candidato a presidente em 2014, pede conselho ao tucano, ave que simboliza sua agremiação partidária. Como se sabe, a oposição vem sendo chamada depreciativamente de “oposicinha”, já que perdeu as três últimas eleições (em 2002, o petista Lula ganhou do Tucano José Serra; em 2006, o mesmo Lula bateu o igual tucano Geraldo Alckmin; por último, em 2010, Dilma – outra vez PT, também suplantou José Serra). Segundo gente do ramo, o PSDB, que governou o país de 1995 a 2002 com o presidente Fernando Henrique Cardoso, perdeu o rumo ante a investida implacável do arquirrival PT na última década.
Patinando na falta de um discurso contundente que fizesse um contraponto à genialidade política do maioral petista — Lula, muito embora seja o partido que acabou com a inflação no país com o mais revolucionário plano econômico, o PSDB vivenciou neste período o seu inferno astral e se articula internamente para reagrupar suas forças dispersas, eliminando as insatisfações e botando ordem na casa.
Aécio quer fazer uma campanha aprumada, isenta de falhas. E pergunta à ave, fã da novelista Glória Perez.
Publicado em maio/2013

H1N1 é a influenza, gripe suína que está avança e já matou 55 pessoas em São Paulo até ontem (21/5/13). H3N2 é uma variação também de gripe, que vem ameaçando. Já a PEC 33, se passar, será um duro golpe na democracia, uma doença em sentido figurado terrível para o Brasil e os brasileiros. O chargista JBosco imaginou assim os habitats onde surgem as doenças que afligem o povo. Esta “doença” tem seu foco no Congresso Nacional.
O principal objetivo da PEC 33/2011 é restringir a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta corte Judiciária brasileira. A proposta pretende alterar a quantidade mínima de votos de membros do STF para declaração de inconstitucionalidade de leis; condiciona o efeito vinculante de súmulas aprovadas pelo Supremo à aprovação pelo Poder Legislativo e submete ao Congresso Nacional a decisão sobre a inconstitucionalidade de Emendas à Constituição. Um absurdo sem precedentes na história do país.
Se você acha ruim o que emana do Congresso, nada que não possa piorar.
Publicado em maio/2013

Sua excelência, exemplo de superação das dificuldades, oriundo de berço humilde, que venceu na vida pelo estudo, pela inteligência, pelo mérito, enfim, desperta a ira dos que se locupletam no poder, dos que viram miliardários tendo como único talento o dom de iludir, de dissimular, de enganar a plebe rude. A caricatura do Jeremias mostra o jurisconsulto e seu martelo que deve contundir mensaleiros, transportadores de dólares no interior sórdido de cuecas, nos finórios ladravazes que fazem da vida pública um portentoso balcão de negócios, nos que querem transformar os exemplares da Constituição Federal em papel higiênico, nos relutantes em aceitar que, em vez dos gabinetes suntuosos da Ilha da Fantasia, lugar de ladrão é na cadeia.
O ministro disse, mais recentemente, que os partidos são de mentirinha pois não há consistência ideológica e programática, até mesmo por falta de interesse dos próprios dirigentes. “Querem o poder pelo poder”, disparou. Ah, pra quê. As hienas fizeram um barulho ensurdecedor. E como a pessoa que tem cecê, mau hálito, chulé não percebe a própria catinga que emana de si mesma, as hienas, bichos vorazes e carniceiros não sentem o fedor da putrefação que exala de sua natureza necrófaga.
As hienas irracionais são o que são, não escondem sua natureza predatória, ao passo que as racionais se encafurnam na empáfia, na demagogia, fingindo seriedade, lhaneza, retidão de monges franciscanos. Os políticos componentes da nobre ala das exceções — sim, felizmente existem e mantêm ligado o fio de esperança — deviam se solidarizar com o ministro e dizerem publicamente, em alto e bom som: ele está certo!
Publicado em junho/2014

Os problemas que atormentam as populações das cidades brasileiras poderiam ser menores não fosse a maneira tímida dessas populações fazer valer seus direitos. Em outros países cujo povo é menos acomodado, mais exigente, os problemas tendem a ser resolvidos com rapidez, as coisas andam mais céleres porque as populações as empurram com ações cidadãs que transcendem os meros queixumes conformistas. Aqui, os políticos se adaptaram aos reclamos sem o devido complemento da cobrança implacável, sistemática. Criticamo-los mas eles pouco se lixam porque sabem que amanhã esquecemos. Para boa parte deles, a péssima Saúde, a degradada Educação, as cidades mal-conservadas, com ruas sujas e esburacadas não os atingem. A carência do povo é o seu fausto, as dificuldades, suas facilidades, os impostos, suas mordomias, e por mais incrível que pareça, tudo de ruim somado se transforma em votos porque vira promessas.
O que seria dos políticos não fossem as crônicas privações da sociedade, material inesgotável para suas propagandas mentirosas e demagogia barata? É como uma bola de neve: quanto mais demandas, mais promessas. Por que mudariam a mamata eleitoreira? Para que fornecer Educação de boa qualidade, se com ela viria o esclarecimento, e, com este, melhor preparo intelectual em benefício da percepção de suas falácias, de seus engodos? Por que razão as pessoas seriam bem atendidas em Saúde, para mais adiante comprometerem as promessas milagrosas de hospitais e centros de excelência semelhantes aos melhores do mundo? Para que teriam casas decentes, atendimento social adequado, segurança, esportes, lazer?
Tomemos como exemplo as cidades aqui da região. Entram gestores, saem gestores, e o cenário pouco muda. Nada sobre nada vezes nada difere. Quando se contempla um benefício, por mais esfuziante que seja, ele chegou anos-luz do ponto zero das necessidades, sempre defasado. Criatividade, audácia, arrojo são coisas que não se vê por aqui. Tudo é tão monótono, tão enfadonho, tão igual. Parece que a microrregião foi excluída do processo da evolução natural das espécies políticas.
Por outro lado, os políticos são seres integrantes de uma coletividade. E como tal não é justo que se debite todos os infortúnios exclusivamente a eles. Eles não são nós? Não foram gerados pelo gigantesco ventre metafórico da sociedade? Não podemos lamentar se esse ou aquele, essa ou aquela esteja centrado/a nos seus próprios interesses, nas benesses que o poder outorga a si e aos seus. Seria diferente se fôssemos nós os beneficiados pelas urnas?, cabe a pergunta desconcertante.
É necessária mudança de postura. Dentro dos limites da Lei tem de haver barulho, protestos, atitudes em defesa da cidadania. Um posto de saúde abandonado mesmo antes de ser utilizado? Protestem-se ruidosamente, batam-se latas e soprem-se apitos até que um construtor apareça no local. Um mau atendimento? Retumbem-se coletivamente a indignação. Um buraco na rua? Coloquem-se nele placa de comemoração de aniversário, um rabo de papel simbólico nos traseiros dos responsáveis; uma promessa não cumprida? Encham a paciência com a palavra de ordem mentiroso/a. Um remédio básico que falta? protestem-se veementemente nas proximidades dos locais de distribuição, ou melhor, de não-distribuição. E assim por diante.
Publicado em maio/2018