Aqui eu guardo meus escritos.

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Unidade de Saúde Central de Bom Jesus do Norte à disposição do History Channel

No início do ano passado o Governo Estadual liberou verbas para a construção da nova Unidade de Saúde do Centro, em Bom Jesus do Norte/ES. No Governo Municipal anterior, quase que a obra foi concluída.

De vez em quando assisto no History Channel ao programa “O mundo sem ninguém”. Interessante acompanhar a deterioração gradual das construções humanas que vão sendo tomadas, tombadas e tripudiadas pela natureza num mundo fictício em que a civilização fora dizimada. A simulação de prédios sendo invadidos por plantas, pontes monumentais tombando por falta de manutenção, a Estátua da Liberdade reduzida a pedaços enferrujados numa Manhattan parecida com a Amazônia é realmente um trabalho visual formidável realizado com ajuda da tecnologia.

Conclusão: Nossa unidade de saúde periga despertar a atenção do pessoal do History, e nem precisará de computadores, já que o abandono é real e dispensa simulações. Mais um tempo e poderemos contemplar o verde orgânico a desafiar a barreira de concreto, ferragens e revestimentos de uma edificação que nunca foi usada, apesar de bastante necessária e erigida numa cidade que, ao contrário da ficção, é habitada por cerca de 10 mil pessoas vivinhas da silva.

Publicado em outubro/2009

Templos religiosos

Quantos templos religiosos a gente vê por aí. Um cidadão aluga uma salinha, coloca lá um tablado e algumas cadeiras e pronto: mais um representante de Jesus na Terra devidamente creditado a defender o Seu santo nome e difundir Sua palavra. Tomando por base as Bom Jesus, imaginem a proliferação dessas casas de orações por todo o Brasil e esse mundão de pecados!

Conclusão: Nem só de pão vive o homem. E a falta do pão da Justiça, da igualdade, da esperança e da oportunidade para todos amplifica o bom verbo de autênticos pastores, mas também desperta a sanha oportunista dos falsos profetas.

Publicado em outubro/2009

Tragédia!

Meu sobrinho Leonardo se foi prematuramente, aos 23 anos, num acidente de automóvel ocorrido dois dias antes do último Natal. “Meu tio predileto”, era como Leo sempre se dirigia a mim, e eu retribuía: “Meu sobrinho predileto.” Sempre que nos encontrávamos ele adorava brincar sobre erros gramaticais comuns, principalmente as redundâncias. “Tio Zé, estava dando o ´acabamento final´ na minha moto”, disse-me pela última vez com um largo sorriso (marca registrada que nunca se apagava do lindo rosto), a propósito de uma atividade que lhe dava intensa satisfação: lavar e cuidar da motocicleta de forma tão metódica e minuciosa que beirava as raias do exagero.

Aguarde-me, sobrinho predileto. Quando eu também “subir para cima”, vamos “conviver juntos” novamente esse “elo de união” entrelaçado por carinho e admiração recíprocos. E por falar desse peralta que abusou da velocidade e deixou nossos corações dilacerados, penso que deveria ser proibida a fabricação de veículos cuja velocidade exceda as condições das estradas brasileiras. É incompreensível que se vendam bólidos que ultrapassam, brincando, 200 km/h para trafegarem, por exemplo, na rodovia Bom Jesus/Itaperuna, principalmente no trecho daqui ao Cruzamento.

É tentativa de suicídio com probabilidade de sucesso!

Publicado em janeiro/2013

Saúde particular dificulta ainda mais para os padecentes

Desnecessário tecer mais comentários sobre a saúde pública brasileira, nesta altura em que a capacidade de indignação do povo morreu por se exercitar demais ao longo do tempo. Mas no aspecto da iniciativa privada, essa indignação ainda respira por aparelhos e espero que se fortaleça sob pena de virarmos zumbis. Quem tem plano de saúde vê-se às voltas com problemas desde prazos longos para agendamento de consultas até recusas na cobertura de procedimentos. Quem não tem convênio sofre obviamente ainda mais, não apenas pelas razões intrínsecas, mas por insensibilidade dos profissionais do setor. Um exemplo é o valor cobrado para consultas e exames.

Posso estar enganado e corrigirei o informe se me provarem o contrário, mas considere-se com sorte se pagar R$ 120 por uma simples consulta, já que os preços variam com uma lógica incompreensível, chegando a R$ 250 em consultórios convencionais (quase meio salário-mínimo). Se o profissional em questão for um bam-bam-bam, então… Outra coisa: parece mesmo que combinam entre si não aceitarem pagamento via cartão de crédito, dinheiro de plástico amplamente aceito nas mais variadas atividades e que quebra um galhão danado principalmente quando das necessidades imediatas, como é uma emergência médica. Mas não. Enquanto a grande maioria do empresariado em geral aceita os cartões, prestadores de serviços médicos, não. Isso eu senti na própria pele, e não só em Bom Jesus; em Itaperuna também, e temo que em todo lugar.

Por que isso? Qual a lógica que há por trás desse repulsivo comportamento que trafega na contramão da modernidade? É difícil aceitar que uma pessoa possa usufruir de um meio de pagamento que lhe permite tanta coisa, mas não a manutenção de sua saúde, o bem mais precioso. Vá entender tamanha contradição!

Em tempo: uma exceção que conheço é a clínica de gastroenterologia localizada em frente à Estação Rodoviária de Bom Jesus/RJ. Lá, aceitam-se cartões.

Publicado em janeiro/2013

Sinalização em Bom Jesus do Norte

Finalmente sinalizaram a cidade, mas para não fugir à regra quase geral, o trabalho foi feito às pressas, de modo perfunctório, incompleto. Então era isso aí na foto o que sonhávamos para nossa cidade há muito tempo? Umas linhas amarelas e umas plaquinhas eram objetos de nossa reivindicação que passa de duas décadas, cuja cobrança em inúmeros textos que produzi já começava a ficar ridícula pela repetitividade? E o sistema de mão única prometido desde a época do rascunho da Bíblia, que seria na verdade a espinha dorsal de um trânsito moderno? E os projetos de paisagismo sempre presentes nos palanques e nos planos mentirosos de governo? E os belíssimos portais de entrada? E as indefectíveis placas “Turismo é investir na qualidade de vida” que continuam com sua corrosão cada vez mais ameaçadora à integridade física das pessoas, tendo já assassinado a gramática e o aspecto visual da cidade?

Francamente…

Publicado em janeiro/2013