Saúde particular dificulta ainda mais para os padecentes

Desnecessário tecer mais comentários sobre a saúde pública brasileira, nesta altura em que a capacidade de indignação do povo morreu por se exercitar demais ao longo do tempo. Mas no aspecto da iniciativa privada, essa indignação ainda respira por aparelhos e espero que se fortaleça sob pena de virarmos zumbis. Quem tem plano de saúde vê-se às voltas com problemas desde prazos longos para agendamento de consultas até recusas na cobertura de procedimentos. Quem não tem convênio sofre obviamente ainda mais, não apenas pelas razões intrínsecas, mas por insensibilidade dos profissionais do setor. Um exemplo é o valor cobrado para consultas e exames.
Posso estar enganado e corrigirei o informe se me provarem o contrário, mas considere-se com sorte se pagar R$ 120 por uma simples consulta, já que os preços variam com uma lógica incompreensível, chegando a R$ 250 em consultórios convencionais (quase meio salário-mínimo). Se o profissional em questão for um bam-bam-bam, então… Outra coisa: parece mesmo que combinam entre si não aceitarem pagamento via cartão de crédito, dinheiro de plástico amplamente aceito nas mais variadas atividades e que quebra um galhão danado principalmente quando das necessidades imediatas, como é uma emergência médica. Mas não. Enquanto a grande maioria do empresariado em geral aceita os cartões, prestadores de serviços médicos, não. Isso eu senti na própria pele, e não só em Bom Jesus; em Itaperuna também, e temo que em todo lugar.
Por que isso? Qual a lógica que há por trás desse repulsivo comportamento que trafega na contramão da modernidade? É difícil aceitar que uma pessoa possa usufruir de um meio de pagamento que lhe permite tanta coisa, mas não a manutenção de sua saúde, o bem mais precioso. Vá entender tamanha contradição!
Em tempo: uma exceção que conheço é a clínica de gastroenterologia localizada em frente à Estação Rodoviária de Bom Jesus/RJ. Lá, aceitam-se cartões.
Publicado em janeiro/2013