Aqui eu guardo meus escritos.
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Em meio à inércia geral no país, algum espasmo descoordenado de realizações ainda se faz sentir, como a importante obra de esgotamento sanitário em andamento em Bom Jesus do Norte/ES, integrante do PAC2. Segundo informes alvissareiros, o município será o primeiro do E.S. a ter 100% de seu esgoto tratado. Iniciada em 22/9/15 ao custo de R$ 4,2 milhões, a obra ganha mais visibilidade num momento especialmente sinistro para o meio ambiente, com o rompimento das barragens da Samarco vindo potencializar o foco na temática.
Um senão: o arremate das obras deixa muito a desejar. A recolocação das pedras do calçamento é feita com rapidez exagerada, descuidadamente, deixando relevos feios e inadequados que os calceteiros dizem se acomodarem com o tempo, o que nem sempre acontece — a firma responsável, terceirizada pela Cesan, paga R$ 4 por m2 de pedras recolocadas. A prefeitura devia exigir que o serviço realizado fosse bem feito. Nesses tempos chuvosos, então, as ruas flertam com o caos, e se a lama não chega a ser um tsunami, daria para promover uma competição de surf. A coisa é tão surreal que em alguns lugares é até perigoso trafegar.
Falando de inércia, a inacreditável crise política e de valores a que chegou o Brasil vai consolidando o pior dos mundos, que é uma mistura de inflação com estagnação, juros exorbitantes, PIB negativo, dívida pública nos píncaros, caos econômico e social, desemprego. A crise encontra ambiente propício para se consolidar quando governos são fracos e incompetentes, deslegitimados tanto antes como depois das urnas. Ao contrário do felizardo município de Bom Jesus, 52% das obras do PAC estão paralisadas, segundo o Instituto Trata Brasil. Lançado para ajudar a ganhar as eleições de 2014, o PAC2 tem 41% das obras que ainda nem começaram. O programa “Água e luz para todos” só realizou 12% do seu orçamento previsto para este 2015, segundo informes do Siafi. O tão discursivo programa de educação profissional e tecnológica, o Pronatec, só utilizou 27% do previsto; obras de saneamento, prevenção de risco em encostas, de mobilidade urbana e pavimentação nem ao menos 2% saíram do papel. Frutos da incompetência desse que é o pior governo da história, o recordista em rejeição segundo os institutos de pesquisas.
Inacreditável a postura da presidente, que só pensa nela. Tivesse um pouco de sensibilidade, de solidariedade com os brasileiros teria pedido para sair há tempos, já que ela é o principal ingrediente na chapa que ameaça torrar o Brasil. Sua Excelentíssima é despreparada gerencialmente, é arrogante, negligente, inepta. Como ela, uma camarilha que se apossou do país só tem olhos de ver seus interesses personalísticos. A presidente não governa, sabemos todos. Não se pode tirá-la, dizem os contrários ao impeachment. Ou seja, o remédio não faz efeito, mas não podemos parar de tomá-lo, e ainda devemos suportar os terríveis efeitos colaterais de uma droga inútil. O impeachment seria uma solução, assim como a impugnação de sua eleição pelo TSE em virtude das fraudes no pleito de 2014. Quem discorda tem motivos inconfessáveis ou precisa urgentemente de um bom oftalmo.
Publicado em dezembro/2015
Brasília é onde os políticos se escondem do povo. Os prédios do poder formam uma ilha de fantasia cercada de problemas e desolação por todos os lados. Daí que o conceito ´descentralizar´ deveria ser menos retórica — principalmente em época de campanhas políticas — e mais sinceridade de propósitos todos os anos, meses, dias, horas, segundos. Os candidatos a prefeito têm o dever de clicar nessa tecla diuturnamente, e os eleitos, “diuturna e noturnamente”, como diria a preparadíssima presidente deste triste país.
De dimensões continentais em tamanho físico e em nível de diversidade, já se tornou crônica a dependência dos entes federativos em relação ao poder central, fato gradualmente gerador, no decorrer da história, de uma colossal necessidade da delegação de tarefas financeiras e administrativas, notadamente aos municípios. Ao contrário dos palácios de Brasília, as prefeituras ficam próximas, muito próximas do povo. E é nas prefeituras que as pessoas reivindicam, pedem, fazem vigília, imploram. Os prefeitos são a palmatória, e, no entanto, só têm o poder de administrar 15% do total da carga tributária brasileira, de aproximadamente 40% do PIB, uma das maiores do mundo, enquanto os suntuosos palácios da Ilha da Fantasia ficam com 60%.
O atual Governo da União gasta mal, incha a máquina, desonera por conta própria subtraindo receita de estados e municípios, lhes dando pouco ou nada em troca. Além de tudo, incompetente, conduzindo a economia à bancarrota e fazendo desacelerar com isso repasses do FPM, entre outros. E quem sofre são as prefeituras. Não por acaso muitas delas estão falidas, devendo salários, inadimplentes com fornecedores, etc. Investimentos de âmbito municipal, então, é praticamente impossível perceber numa das cerca de 5.600 prefeituras brasileiras. Mesmo as que têm mais autonomia sofrem com a draconiana redução dos royalties, especialmente do petróleo, ocasionada pela roubalheira desenfreada na Petrobrás, concomitantemente com a queda no preço do barril em nível internacional.
É fundamental que os municípios se fortaleçam. O monstro obeso do Estado que tudo vê, tudo pode e tudo esmaga precisa se submeter a uma bariátrica descomunal. Cada município decida o que gastar e como gastar no âmbito de suas peculiaridades, de suas necessidades. Esse negócio do monstro resolver padronizar aquela creche, aquele posto, aquela quadra esportiva é autoritarismo econômico. As cidades precisam escolher as próprias prioridades, e os políticos fazerem com que isso seja possível fortalecendo os municípios, colocando-os no cerne das reformas estruturais. E promoverem as reformas, claro.
Na parte que nos toca — políticos deste Vale do Itabapoana — a abordagem ao tema tem de ser vigorosa, objetiva, permanente. Basta de ficarmos com o pires na mão acenando-o aos aventureiros que de quatro em quatro anos nos juram amor eterno, mas depois de receberem nossos votos só têm olhos de ver a sensualidade de regiões maiores. A autonomia financeira, por isso, tornará mais intenso o prazer da conquista nos pequenos municípios.
Publicado em fevereiro/2016

Reza a cartilha dos bebuns que o primeiro gole é “do santo”, e esquecer de jogar aquele bocadinho nas quinas ou no chão é digitar a senha pela qual as entidades intangíveis podem abrir as portas do inferno para o ébrio infeliz. Mutatis mutandis, dilapidaram o país, roubaram sem dó nem piedade, acabaram com uma das estatais mais sólidas do Planeta, botaram grana nas cuecas, nas meias e até, quem sabe, nos orifícios impudicos, no intento de transformar o Brasil num imenso e ensandecido covil de ladrões.
Vivemos um pesadelo infindável de manchetes, onde a palavra ´corrupção´ faz parte do cotidiano como as filas nos hospitais, a carestia nos supermercados, a revoada infernizante dos mosquitos que só faltam transmitir a praga dos faraós. Aliás, uma pausa: por falar em mosquito, como bem disse Reinaldo Azevedo, “Dilma presidente e Marcelo Castro ministro da Saúde é muita zika para um só país!” Retomo: e quiseram comer tudo, da copa à raiz, sem sequer separar a insignificante parte do santo, digo, do povo, que tem no juiz paranaense Sérgio Moro uma das raras e dignas exceções representativas desse povo.
Moro, uma entidade quase etérea em se tratando da terra onde vive (se é que me entendem), é o santo que cobra um alto preço pelo ´esquecimento´ dessa corja de vagabundos, cuja sede chega ao paroxismo da loucura de promoverem a devastação da outrora pátria-mãe-gentil sem deixarem nada pro santo. Tudo se reduz a nada ante o apetite descomunal da nuvem de gafanhotos.
Felizmente “ainda há juízes em Berlim”. Empreiteiros, políticos e uma cambada de parasitas nojentos caíram na teia de Sérgio Moro e veem o sol nascer quadrado através do basculante em cima da privada imemorial e fedorenta onde fazem o ´número 2´ de cócoras e em público. Funicaram-se!
E agora, um inseto que se achava imune a tudo está prestes a também se funicar. Esqueceu-se, o pilantra, de que só as aranhas não se atrapalham nas teias. Como no Brasil atual os parasitas parecem mais numerosos do que seus hospedeiros, fica difícil conviver com tamanha degradação da moral e da ética, com a bandidagem reinante. Só o desinfetante Moro é insuficiente, necessitam-se de mais pesticidas.
E aos que tomarem as rédeas políticas do Brasil no futuro, não se esqueçam, hein… A “do santo” é sagrada!
Publicado em fevereiro/2016

Srs. candidatos às Eleições 2016: pelo andar da carruagem no país, especialmente da que é conduzida por procuradores que batem forte no peito esquerdo e entoam a plenos pulmões o Hino Nacional, a capella, ritmados pelo ínclito juiz Sérgio Moro, não vai ser mais tão fácil para ninguém abusar dos cofres públicos e dos conchavos nestas eleições. E se a esse acalanto para o país no cenário materialista pudessem sobrepor-se doses vigorosas de honestidade intelectual, de vergonha pelas mentiras nas promessas de campanha, de repúdio à hipocrisia, à demagogia e à dissimulação a pátria, com certeza se transformaria numa espécie de Fênix verde e amarela, renascendo de suas cinzas: os valores éticos e a integridade dos caráteres reabilitados se tornariam a continuidade do ´Sérgio Moro imaterial´ a manter o país ameno de vagabundagem, imune a uma Lava Jato II – O retorno.
Ideal seria, Srs. candidatos, que a uma escola prometida fossem apresentados de maneira clara, incontroversa, o projeto, as previsões, planilha de custos e modus operandi de consegui-los. Abaixo às generalizações, às frases de efeito, os lugares-comuns. Não é justo — e isso é necessário entender definitivamente, que se continue a explorar a boa-fé das pessoas, onde o voto obrigatório anacrônico e perverso parece ter sido uma regra imposta justamente com a finalidade de sufragar os políticos mais convincentes em suas retóricas, em suas falácias, em suas caras de pau.
Este ano especialmente, ideal seriam discursos focados em propostas, isentos de ofensas, que convençam terem sido extraídos das cacholas de quem não necessariamente cantem demagogicamente o Hino a capella, mas que possuam um pouco de amor pelas raízes, sobretudo que se preocupem também com as futuras gerações, que serão as de seus filhos e netos. É preciso apresentar conteúdo, pensar e instigar ideias. Em tempos de vacas magras mais vale molhar o pasto transportando água do riacho nas costas do que esperar a chuva imprevisível.
A crise não será permanente, e como já se falou aqui nesta página, cito um exemplo para a realidade local: as cidades de Bom Jesus carecem urgentemente de uma Terceira Ponte, mas parece óbvio demais que o momento é, no mínimo, inapropriado. Mas pode-se ir molhando o pasto, ou melhor, o concreto armado virtual da mesma com articulações, com a manutenção viva e acesa da vontade, com o estreitamento dos laços de coleguismo entre as autoridades, com a união dos poderes para a finalidade mútua.
Basta de flerte com paraísos utópicos que levaram políticos irresponsáveis e corruptos a se encantarem a tal ponto que lhes fugiu o chão. E pairando em convivência com as gaivotas, começam a perceber que suas asas são da mesma cera das de Ícaro.
Tchbuummm!

Faleceu na noite da segunda-feira, 25/7/16, o ex-prefeito de Bom Jesus do Itabapoana/RJ em quatro gestões, Carlos Borges Garcia, aos 87 anos de idade. Tendo tido o privilégio de escrever um texto para o Jornal Repórter em setembro de 2009, denominado “Carlos Borges Garcia – fragmentos de uma biografia autorizada”, bem como “Uma liderança que faz falta”, em agosto de 2011 para a Revista Minha cidade é esta”, e por último o editorial da própria Revista Status, de março deste ano, “Carlos Garcia: um bom-jesuense injustiçado” entre outros, sinto-me recompensado por esse grande homem que com seu exemplo de força moral, determinação, idealismo e capacidade de trabalho me forniu de inspiração para as palavras com as quais lhe ofereci os merecidos louvores quando em vida.
Agora, na morte, abstenho-me de dizer o que sinto, pois além da redundância, certamente correria o risco de me expor em demasia aos adjetivos superlativos que tais momentos de dor (espírito mais sensível) costumam nos acometer sem as travas do conceito de que não se fortalece a verdade com o exagero. Portanto, nada acrescento, senão reafirmar tudo o que escrevi sobre este invulgar personagem da História de Bom Jesus, que como ser humano não foi perfeito, é claro, mas ocupou o admirado panteão dos possuidores de retumbante integridade moral e capacidade de interação com sua cidade e sua gente.
Descanse em paz, Sr. Carlos!
Publicado em julho/2016