Aqui eu guardo meus escritos.
Obrigado pela visita.

Sempre insensíveis, nunca aprendem nada,/
não lhes move a vontade da sabença,/
das mazelas também esquecem nada/
e alcançaram o desvario da doença./
Por exemplo, não aprendem que mentir/
a um povo suscetível à mentira;/
dias viriam a dar a todos refletir,/
desmascarando as bestas vis, em santa ira./
É muito roubo, perversão e incompostura,/
ninguém mais pôde aguentar tão grande peso:/
de raiva explode o povo, bravíssimo e coeso./
Diagnosticado o mal, e prescrevendo rudemente a cura,/
Massas gigantes se nutriram de cidadania pura,/
e ao banditismo político decretaram: teje preso!/
Obs. Na época produzi estas linhas com grande esperança. Mas hoje vê-se que a esperança fora em vão. Ao invés de melhorar, piorou. Ao banditismo político, logo decretaram: “teje solto.”
Publicado em junho/2013
Bem-vindo, santidade, a esta terra a Deus temente./
Abençoais o povo que tem na fé seu mor pendor,/
e dizeis vós, santo ativista das galáxias do Senhor:/
do que acusa o Deus terrível a essa gente?/
Vedes a malograda massa diuturnamente/
nas vis arremetidas do status dominador,/
debatendo-se nas procelas políticas de tanto irmão traidor;/
por que, santíssimo, o Pai permite e se faz tão conivente?/
Vós viestes e vistes como é belo o Rio de Janeiro./
Cidade maravilhosa, relíquia da pátria, gema da geografia,/
mas tomada por neros, arrivistas, bando finório e sorrateiro./
Talqualmente — como dizia Odorico — escarnecem do Brasil ex-altaneiro,/
que permitis, santidade, eu ser sincero e vos falar de uma tal monografia/
dissertando a tese de que é o Diabo, e não Deus, o brasileiro!/
Publicado em julho/2013.
Contemplando esta terra entristecida,/
veem-se mágoa, tristeza e abandono./
E sua gente tanto jaz entorpecida,/
a dormir na prostração o tredo sono!/
Acordes, criatura, para a vida!/
Sejas tu apenas teu lídimo dono./
Não mais permitas que a façam desprovida/
da honra e glória em seres tu teu só patrono./
Não durmas, não te tornes vulnerável/
à vil peçonha de políticos abjetos;/
sê leal a ti, aos teus filhos e aos teus netos./
Assim serás partícipe formidável/
da ética resgatada nos vinhedos ressurretos/
reabilitando, da vida, os teus projetos./
Publicado em janeiro/2017.
Alguém pediu a mim um texto sobre a juventude/
da tecnológica geração de zaps e de faces;/
então eu escrevi: intriga-me à vera a quietude,/
e só envolvimento em likes, copy, enfeites./
O like é bom, a copy é boa. Mas platitude…/
Muitos enter, poucos del em vãos deleites./
E control C e control V na plenitude/
destrói neurônios e sinapses em vis falsetes./
Voluntarismo exuberante próprio da idade/
nas hipnóticas telinhas dissipa-se na irrealidade/
e na maneira equivocada de buscar o que mereçam./
Tanta carência de ideias e de espontaneidade,/
instigam os meus repentes de sinceridade/
ao rodrigueano conselho: “jovens, envelheçam!”/
Publicado em fevereiro/2017.
Nas quadras torpes em que transitam brasileiros/
em sua faina à sobrevida ao dissabor,/
se ouvem urros de loucura e de torpor,/
e tombam inertes sob ação dos bandoleiros./
É o que dá por se tornarem hospedeiros/
dos vermes pútridos no afã dominador,/
que transmudados em políticos e seu tutor,/
os enganaram como enganam os trambiqueiros./
Não me parece haver nenhuma esperança,/
e todo o mal lhes afigura como herança/
já que legaram a marginais poder eterno.
E que´ste canto a me ligar destemperança/
lhes seja útil a recordar em que aliança,/
qual Dante insano desenharam o próprio inferno!/
Publicado em fevereiro/2017