Aqui eu guardo meus escritos.
Obrigado pela visita.
Quando a tardezinha no horizonte vai morrendo,/
e a sombra da noite se achegando de mansinho,/
mais penso em tu quando entraste em meu caminho/
com a rubra tez do embaraço e amor trazendo./
Vês também, como eu, a bela tarde se desfazendo,/
também a noite se aproximando de mansinho,/
mas, insensível, não te recordas, com tal carinho/
das leis do amor que íamos sempre obedecendo./
Que bons momentos desfrutamos, que saudade…!/
Tão felizes fomos, de tal forma e de tal jeito,/
que é impossível não lembrar com intensidade./
Percebas tu essa incrível realidade:/
São as lembranças o refrigério mais perfeito,/
a amainarem as dores torpes da idade!
Data incerta de produção
Seria muito eu te pedir um pouco,/
do tanto que dás a muitos, levianamente?/
Ou pouco demais eu sou, ou muito louco,/
de muito amar quem me faz pouco, solenemente?/
Sou o muito pouco que te vales, e fico rouco,/
de muito lamento do nada que fazes, asperamente./
Ponha-te um pouco em mim, no arcabouço/
do sobejo do nada, da carência do pouco… é deprimente!/
Pense nisso um pouco, e muito te apiedes/
do muito sofrer de quem pouco te pedes,/
fazendo d´um pouco o meu muito, cruel amada./
Eu me contento com o que está nas Escrituras:/
“O pouco com Deus é muito”, mas amarguras,/
são o muito sem Ele ser nada!/
Data incerta de produção
No ensejo da libertação da verve,/
aprisionada pela sombria inspiração,/
todo tema bem ou mal me serve;/
desato os nós que me atam o coração./
Impassível, o dogmático impede,/
o amar-se livremente e ao bel-prazer,/
por injunções como a idade, e assim mede,/
a resistência de quem não sabe o que fazer./
Da ingerência desse tolo preconceito/
o alento me escapa e me abate,/
sufocando o que me vai dentro do peito./
E no ápice do degredo e dissabor,/
meu outono de enleio e bom quilate/
desdenha sua primavera em flor./
Data incerta de produção
Todos temos nossa história,/
umas boas, outras não;/
este caso é a vitória/
da minha incrível solidão./
Trata-se de um amor infame/
que não é correspondido./
Cilada da vida, ditame,/
mais um caso já perdido!/
Ou não é perdido o caso,/
de amar-se no ocaso/
alguém que te esqueceu?/
Ali, veja, é aquela!/
Meu coração é só dela,/
mas o dela não é meu./
Data incerta de produção
Na luta pela vida eu tirei partido,/
do trabalho e forças de vencer, tamanhas,/
que conquistei lauréis, glórias e façanhas,/
deixando de joelhos o desânimo, vencido!/
Fui audaz, forte, corajoso e destemido,/
rompi barreiras, cumes e montanhas./
Senti a dor procaz corroer-me as entranhas,/
mas não quedei; de mim nenhum gemido./
Só nestas horas em que bate a solidão,/
e em que pese o que eu levo de roldão/
ignorando se o bem ou mal me quer,/
penso em Deus com uma única ressalva:/
não confiscou minha fiel Estrela-Dalva,/
mas não me deu o amor de uma mulher!/
Data incerta de produção